Mapa do barulho mostra bairros que mais sofrem com “randandan e piseiro”
A liderança nas reclamações de perturbação do sossego é do Nova Lima
O mapa do barulho de Campo Grande tem o Bairro Nova Lima, localizado na saída para Cuiabá, na liderança das denúncias por perturbação do sossego. O segundo lugar é do Portal Caiobá, que também fica numa das bordas da cidade.
RESUMO
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O bairro Nova Lima, em Campo Grande, lidera o ranking de denúncias por perturbação do sossego, seguido pelo Portal Caiobá. Em 2025, o Nova Lima registrou 1.087 reclamações, um aumento de 38% em relação ao ano anterior. O principal motivo das queixas é o barulho de motocicletas, conhecido como "randandan". No Portal Caiobá, o problema concentra-se na Rua Cachoeira do Campo, onde estabelecimentos comerciais e música alta dos veículos perturbam os moradores. Em 2025, Campo Grande registrou média de 66 reclamações diárias, totalizando 24.328 ocorrências. A Lei do Silêncio proíbe ruídos entre 22h e 7h, com penas que podem chegar a quatro anos de prisão.
De acordo com dados da Sejusp (Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública), o Nova Lima, bairro mais populoso da Capital, contabilizou 1.087 reclamações em 2025. No ano de 2024, quando também estava no topo do ranking, foram 787. Portanto, aumento de 38%.
Nas ruas do bairro que registra forte expansão imobiliária e a chegada de novos moradores, a maior queixa de barulho é direcionada aos motociclistas. De boca em boca, corre a reclamação sobre os “motoqueiros”, como popularmente é chamado quem transita sobre duas rodas.
Entre a noite e a madrugada dos finais de semana, o silêncio é quebrado por muito “randandan” das motocicletas e o barulho do escapamento, que se assemelha ao estampido de tiro.
“Eu trabalho de segunda a segunda-feira. Quando chega a noite, quero dormir, descansar”, afirma Eunice Pereira, de 62 anos. Ela reclama das motocicletas e bicicletas com motor que passam espalhando barulho pela Avenida Zulmira Borba, corredor comercial do Nova Lima.
“É uma perturbação, uma barulheira danada. Às vezes você está sentada e vem aquele barulho que parece tiro, assusta”, diz Eunice, que mora no bairro há 18 anos.
Mas a situação já foi pior. Uma conveniência deixava a caixa de som direcionada para o seu imóvel. “Tinha a minha mãe de 90 anos. Ela reclamava do barulho. Pedia para eu abaixar o som, mas não era em casa”, rememora.

Recém-chegada ao Nova Lima, Valdete Lírio, de 49 anos, conta que o barulho do “randandan” incomoda de sexta-feira a domingo. Mas enquanto alguns vão para a rua, muitos trabalhadores só queriam uma noite de sono no fim de semana. “Principalmente depois de um dia cansativo”, diz Valdete.
Com 436 quarteirões e mais de 41 mil moradores, o bairro se tornou o mais populoso de Campo Grande no Censo 2022. Antes, a liderança era do Aero Rancho.
No Portal Caiobá, fim de semana é do “piseiro”
No comparativo entre os dados de reclamações por barulho de 2024 e 2025, o Portal Caiobá pulou do terceiro para o segundo lugar. Em 2024, foram registradas 735 queixas. No ano passado, o total foi de 982.
O epicentro do som alto é a Rua Cachoeira do Campo, que concentra conveniências, bilhar e tabacaria. Os frequentadores passam a madrugada por lá, com direito a muito barulho vindo do rádio dos veículos.
“Aqui é o piseiro no final de semana. A gurizada vem para cá na sexta e no sábado. A partir das 22 horas começa o barulho e vai até o nascer do dia” diz Gustavo da Silva, de 42 anos.
Para Rosilda Soares, de 45 anos, o barulho que chega pelos fundos da sua casa é ainda mais preocupante. O som alto é um dos gatilhos que dispara crise no filho de 4 anos, que é autista. O diagnóstico foi de nível 2, em que há maior dificuldade de comunicação e inflexibilidade comportamental.

Com uma placa em frente de casa, a mãe tenta conscientizar e esclarecer os vizinhos. O aviso é de que as crises são marcadas por gritos e choro. Para proteger o menino do barulho, comprou um abafador de ruído.
“Tem o pagodinho, a tabacaria e essas motos. Quando o meu filho entra em crise, não tem como segurar. Já tive que chamar a polícia por causa de som alto. Não adianta fazer a terapia e, simplesmente, ser tudo jogado fora”, reclama a mãe.
José Leonardo, de 67 anos, relata que a rotina é de muita barulheira. “Chega de sexta para sábado e de sábado para domingo, ninguém dorme. Não respeitam os vizinhos de idade. Ligam o som meio dia e vão desligar quatro horas da manhã. É insuportável. No fim de semana, ninguém tem sossego. Você chama a polícia, mas não vem”.
Média de 66 reclamações por dia
Conforme registros do Centro Integrado de Operações de Segurança, vinculado à Sejusp, a PM (Polícia Militar) atendeu 20.619 ocorrências de perturbação do sossego em 2024. Em 2025, foram 24.328. Portanto, média de 66 reclamações por dia.
A reportagem questionou a PM sobre como é feita a fiscalização, se os bairros mais problemáticos têm ação especial e a reclamação de morador de que equipe não vai ao local. O Campo Grande News aguarda resposta.
Os bairros com mais reclamações são: Nova Lima, Portal Caiobá, Aero Rancho, Centro, Jardim Noroeste, Moreninhas, Guanandi, Centro Oeste, Los Angeles e São Conrado.
A Lei Complementar 2.909, de 28 de julho de 1992 (Código de Polícia Administrativa), também conhecida como Lei do Silêncio, veda a utilização ou funcionamento de qualquer instrumento ou equipamento que produza, reproduza ou amplifique o som, no período noturno, de modo que cause poluição sonora. O período noturno se estende das 22h de um dia até às 7h do dia seguinte.
De acordo com a Lei Federal 3688/41, perturbação do sossego é uma das contravenções penais referentes à paz pública. A pena é de prisão de até três meses e multa.
A situação também é abrangida pela legislação de crime ambiental. Causar poluição de qualquer natureza em níveis tais que resultem ou possam resultar em danos à saúde humana tem pena de prisão de até quatro anos.
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