MP investiga 2 unidades de saúde por falta de remédios e equipamentos
Infraestrutura e atendimento da USF Coophavilla II e da UPA Leblon também são alvos da investigação

O MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) instaurou inquérito civil para investigar as condições de funcionamento de duas unidades de saúde de Campo Grande. São alvos de investigação a USF (Unidade de Saúde da Família) Alfredo Neder, localizada no bairro Coophavilla II, e a UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do bairro Leblon. O procedimento apura falhas na infraestrutura, indisponibilidade de equipamentos para exames, falta de medicamentos e possíveis prejuízos à qualidade do atendimento prestado à população.
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A investigação na USF Coophavilla II teve início a partir de denúncia encaminhada pela Ouvidoria Nacional dos Direitos Humanos, que apontou não apenas um episódio isolado, mas indícios de problemas estruturais e organizacionais na unidade, como dificuldades no acesso a exames, deficiência na comunicação com usuários e ausência de equipamentos essenciais.
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Em dezembro, profissionais de saúde procuraram a equipe do Campo Grande News para apontar que nesta mesma unidade não há chuveiro para pacientes tomarem banho e que pisos quebrados oferecem risco de queda aos usuários do serviço.

Durante a apuração preliminar, o Ministério Público confirmou problemas persistentes, entre eles a indisponibilidade prolongada do equipamento de eletrocardiograma. Segundo o órgão, o aparelho segue em manutenção, sem prazo definido para conclusão do reparo, o que impede a realização do exame na própria unidade.
Uma vistoria técnica realizada em 3 de dezembro de 2025 pelo MPMS constatou ainda a falta de diversos medicamentos da Remume (Relação Municipal de Medicamentos Essenciais), incluindo antibióticos, anti-hipertensivos, antidiabéticos, analgésicos e medicamentos de uso contínuo. A ausência desses itens compromete o tratamento regular de pacientes atendidos pelo SUS.
O relatório técnico também apontou deficiências na estrutura física da unidade, como problemas de climatização em salas de atendimento e vacinação, infiltrações no saguão de espera e a inoperância do compressor odontológico há cerca de três meses, o que limita o funcionamento do consultório dentário.
Apesar das irregularidades, o MPMS destacou que a unidade cumpre adequadamente as diretrizes de acolhimento e humanização no atendimento, com relatos positivos de usuários e ausência de falhas graves na conduta das equipes de saúde. Também não foram identificados desfalques definitivos nas equipes de trabalho, que contam com profissionais efetivos, contratados e residentes.
Com a instauração do inquérito civil, o Ministério Público determinou que a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde) apresente, no prazo de 20 dias úteis, informações detalhadas sobre o reparo do eletrocardiograma, a recomposição do estoque de medicamentos, as medidas para correção das falhas estruturais e o andamento do processo seletivo para contratação de um engenheiro clínico para a unidade.
O MPMS afirmou que as falhas identificadas atingem toda a coletividade usuária da unidade e podem representar risco à continuidade, segurança e qualidade do atendimento, motivo pelo qual o caso seguirá sob acompanhamento e fiscalização permanentes.
A reportagem entrou em contato com a Prefeitura de Campo Grande, por meio da Sesau, para comentar as irregularidades apontadas pelo Ministério Público e informar quais medidas estão sendo adotadas, mas não obteve resposta até a publicação desta matéria. Caso haja manifestação, o texto será atualizado.
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