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Capital

"Não direcionamos ações por identidade", diz PM sobre morte de mulher trans

A corporação enfatizou em nota que o uso da força não se baseia na contagem isolada de disparos

Por Judson Marinho | 17/02/2026 16:28
"Não direcionamos ações por identidade", diz PM sobre morte de mulher trans
Gabriella caída na faixa de pedestre da Avenida Calógeras e policiais militares ao lado (Foto: Direto das Ruas)

A PMMS (Polícia Militar de Mato Grosso do Sul) se manifestou publicamente sobre a ocorrência que terminou com a morte da mulher trans Gabriella dos Santos, de 27 anos, baleada durante uma abordagem policial na tarde de segunda-feira (16), na região central de Campo Grande.

RESUMO

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A Polícia Militar de Mato Grosso do Sul (PMMS) se pronunciou sobre a morte de Gabriella dos Santos, mulher trans de 27 anos, baleada durante abordagem policial em Campo Grande. A corporação negou a classificação de "extermínio", termo usado pela Associação das Travestis e Transexuais (ATTMS), que cobrou apuração detalhada. A PM afirmou que os disparos ocorreram após a arma de um agente ser tomada e apontada contra a equipe, caracterizando legítima defesa. O caso ocorreu no centro da cidade, durante abordagem a suspeitos. Segundo a PM, Gabriella entrou em confronto físico, pegou a arma e a apontou para os policiais, que reagiram com quatro tiros. Ela morreu no hospital. A perícia recolheu as armas e investiga o episódio, enquanto a PM reiterou seu compromisso com a legalidade. Imagens de segurança mostram a arma caindo durante a luta.

Em nota de esclarecimento divulgada nas redes sociais, a corporação rejeitou a classificação do caso como “extermínio”, termo utilizado pela ATTMS (Associação das Travestis e Transexuais de Mato Grosso do Sul).

No pronunciamento, a ATTMS, em nota assinada pela coordenadora interina Manoela Kika Rodrigues Veiga, afirmou que quatro disparos de arma de fogo não poderiam ser automaticamente interpretados como legítima defesa sem uma análise técnica minuciosa.

“O que se tem agora é o extermínio de uma pessoa trans”, declarou a associação, cobrando apuração séria, técnica e imediata por parte do Ministério Público Estadual e demais órgãos competentes.

Em resposta, a Polícia Militar afirmou que o uso do termo “extermínio” pressupõe prática sistemática, direcionada e reiterada contra determinado grupo social, caracterizando uma acusação grave que exige comprovação objetiva. Segundo a corporação, não há dados oficiais que indiquem qualquer atuação sistemática ou direcionada contra grupos sociais específicos.

“A instituição não possui histórico estatístico que sustente essa narrativa. Muito pelo contrário, possui um histórico de ações em prol da segurança e do bem-estar”, destacou a PM.

A nota também enfatizou que os protocolos de uso da força não se baseiam na contagem isolada de disparos, mas na necessidade de cessar uma ameaça considerada concreta e imediata.

De acordo com a Polícia Militar, a ocorrência teve início durante uma abordagem que evoluiu para luta corporal. Nesse contexto, a arma de um policial teria sido tomada e apontada contra a equipe, situação que, conforme a corporação, configurou risco direto à vida dos agentes e de terceiros.

Antes do posicionamento oficial da PM, a ACSMP (Associação e Centro Social dos Militares e Pensionistas de Mato Grosso do Sul) divulgou nota em apoio aos policiais envolvidos, classificando a reação como técnica e proporcional, voltada a cessar a agressão injusta e restabelecer o controle da ocorrência.

Ao final do comunicado, a Polícia Militar lamentou a morte de Gabriella dos Santos e reiterou que atua com base na legalidade e na técnica. A corporação também afirmou que não direciona ações por identidade, condição ou pertencimento social e que o caso será submetido à investigação dos órgãos competentes.

O caso - O episódio ocorreu no cruzamento da Avenida Calógeras com a Rua 15 de Novembro, nas proximidades da Praça Santo Antônio, área central da cidade. Conforme o boletim de ocorrência, uma equipe do 1º Batalhão da Polícia Militar atendia a um chamado para averiguar pessoas em atitude suspeita.

Durante a ação, houve confusão após a prisão de um dos abordados. Segundo o registro policial, em meio ao tumulto, Gabriella teria entrado em confronto físico com os militares. A arma de um policial caiu durante a briga e foi apanhada por ela, sendo apontada na direção da equipe. Diante da situação, outro agente efetuou quatro disparos.

Gabriella foi atingida no peito, abdômen e perna. Ela chegou a ser socorrida pelo Corpo de Bombeiros, mas morreu posteriormente na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) do Bairro Coronel Antonino. Durante a ocorrência, um soldado sofreu escoriações próximas ao nariz e um arranhão no punho esquerdo.

Imagens de câmeras de segurança  mostraram que o revólver caiu durante a luta corporal. A versão inicial informada pela Polícia Militar indicava que a arma teria sido retirada do coldre.

Após o ocorrido, a perícia foi ao local e recolheu as armas dos policiais envolvidos e outras três pessoas foram levadas à delegacia por desobediência e desacato.