ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, TERÇA  27    CAMPO GRANDE 30º

Interior

Tour nos domínios do “Barão da Maconha” foi ponto alto da visita de Gonet a MS

O traficante paraguaio já foi figura central no histórico de violência na fronteira de Coronel Sapucaia

Por Aline dos Santos | 27/01/2026 10:45
Tour nos domínios do “Barão da Maconha” foi ponto alto da visita de Gonet a MS
Felipe Escurra (à esquerda) foi preso pela polícia paraguaia em agosto de 2016. (Foto: ABC Color)

A visita do procurador-geral da República, Paulo Gonet, à fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai teve ponto alto ao passar, por terra, perto da casa de “Barón Escurra”. “Um dos momentos mais emblemáticos da visita foi o trajeto terrestre até as proximidades da residência do conhecido 'Barão de Escurra', figura central no histórico do tráfico local (sic)”, destacou o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul), ao divulgar o roteiro da comitiva de Gonet.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, visitou a fronteira de Mato Grosso do Sul com o Paraguai, onde passou próximo à residência de "Barón Escurra", Felipe Escurra Rodriguez, narcotraficante ligado ao Comando Vermelho e um dos mais procurados do Paraguai. Escurra ascendeu ao poder após a queda de Carlos Arias Cabral em 2010. Em 2016, foi preso após confronto com agentes antidrogas paraguaios, mas conseguiu liberdade no ano seguinte. É acusado de ordenar assassinatos e comandar o tráfico de maconha na região fronteiriça, além de responder a processo por tentativa de roubo na Justiça brasileira.

O nome Felipe Escurra Rodriguez, o Barón, está no noticiário há 16 anos. A ascensão na fronteira entre Coronel Sapucaia e Capitán Bado, no Paraguai, aconteceu após a queda de Carlos Arias Cabral, o Líder Cabral, maior traficante de maconha nos idos de 2010 e rival de Luiz Fernando da Costa, o Fernandinho Beira-Mar, do CV (Comando Vermelho).

Nos anos 90, durante a guerra entre Fernandinho Beira-Mar e Líder Cabral na fronteira, várias pessoas foram mortas. A prisão de Cabral abriu caminho para Escurra, que se viu livre da ameaça de ter a quadrilha dizimada pelo concorrente. Ligado ao Comando Vermelho, o “Barão da Maconha” está foragido e faz parte da lista dos mais procurados do Paraguai.

Em 2016, o narcotraficante foi preso após “receber” com tiros de fuzil AK 47 os agentes da Senad (Secretaria Nacional Antidrogas) do Paraguai. Um ano depois, obteve liberdade.

Na ocasião, jornal paraguaio ABC Color destacou que a liberdade era inexplicável. Além de comandar a remessa de maconha produzida no Paraguai para o Brasil, ele era suspeito de ter planejado, em 2012, o assassinato do jornalista Cándido Figueredo Ruiz, jurado de morte pelo crime organizado.

Tour nos domínios do “Barão da Maconha” foi ponto alto da visita de Gonet a MS
Armas apreendidas com o "Barão da Maconha" em 2016. (Foto: Direto das Ruas)

“Sabe o que colocou no jornal? Que eu tenho avião, trazendo coisa da Bolívia. Agora só tenho uma caminhonete, a polícia está o tempo todo atrás de mim. A hora que tiver mais dinheiro, mando bala nesse filho da p...”, disse Escurra no diálogo gravado pela polícia de Mato Grosso do Sul.

Barón também foi acusado de ter ordenado a morte do presidente da Câmara de Capitán Bado e outras duas pessoas, em 6 de março de 2008. Em 2019, o juiz paraguaio que libertou o "Barão da Maconha" perdeu o cargo, após ser acusado de receber propina.

Na Justiça de Ponta Porã, Escurra responde a processo por tentativa de roubo. A denúncia foi em 2012, pelo golpe do falso frete em caminhoneiros. A pessoa era sequestrada e o grupo entrava em contato com a empresa para recomprar o veículo. Em 2018, a ordem foi para expedir novo mandado de prisão contra Escurra, com validade de 20 anos.

A visita - Paulo Gonet desembarcou na tarde de domingo (dia 25) no Aeroporto Internacional de Campo Grande. Ele foi recebido pelo procurador-geral de Justiça de MS, Romão Avila Milhan Júnior.

Depois, o procurador foi para Ponta Porã. Ele sobrevoou a linha internacional entre Mato Grosso do Sul e o Paraguai.

A comitiva pousou em Coronel Sapucaia, onde equipes do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) e do DOF (Departamento de Operações de Fronteira) relataram a presença de organizações criminosas transnacionais e os limites operacionais enfrentados na região. O procurador já foi embora de Mato Grosso do Sul.

Tour nos domínios do “Barão da Maconha” foi ponto alto da visita de Gonet a MS
Chefe do MPMS, Romão Avila (à esquerda), e o procurador-geral da República, Paulo Gonet. (Foto: Decom/MPMS)

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.