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Como diminuir o “nojo” de alimentos à base de insetos, segundo a Embrapa

Por José Cândido | 27/01/2026 10:24
Como diminuir o “nojo” de alimentos à base de insetos, segundo a Embrapa
A maioria dos produtos à base de insetos (cerca de 51%) no mercado global são, predominantemente, snacks como, por exemplo, biscoitos. Na foto, biscoito à base de farinha de inseto - Foto: Kadijah Suleiman

Um aroma de pão recém-assado ou de bolo de chocolate é suficiente para despertar o apetite de muita gente. Mas e se, por baixo dessa massa, houvesse proteína de insetos invisível ao olho nu? A ideia pode soar estranha — ou até repulsiva — para muitos brasileiros. Foi exatamente esse desafio cultural que um novo estudo da Embrapa decidiu enfrentar: como reduzir a rejeição a alimentos à base de insetos, um potencial ingrediente do futuro sustentável?

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A Embrapa realizou um estudo para investigar formas de reduzir a rejeição a alimentos que contêm insetos em sua composição. A pesquisa revelou que a neofobia alimentar é um dos principais obstáculos para a aceitação desses produtos, mas pode ser superada através de estratégias adequadas de apresentação. O estudo demonstrou que produtos processados ou integrados a alimentos familiares, como pães e massas, têm maior aceitação quando comparados a apresentações com insetos visíveis. A comunicação adequada, destacando benefícios nutricionais e ambientais, também se mostrou fundamental para transformar a percepção do consumidor sobre essa fonte alternativa de proteína.

A pesquisa mostra que a aversão inicial — conhecida como neofobia alimentar, ou medo de experimentar algo novo — é uma das maiores barreiras para que produtos com insetos ganhem espaço nas prateleiras e nos pratos. Mas há boas notícias: a forma como a informação é apresentada faz toda a diferença. Quando recursos textuais bem elaborados são combinados com imagens que destacam o produto final, e não o inseto em si, a rejeição diminui sensivelmente.

Isso significa que consumidores tendem a aceitar melhor produtos processados ou integrados a alimentos familiares — como biscoitos, pães e massas — do que versões em que o inseto aparece visível e integral. A estratégia não é apenas cosmética: faz parte de um processo cognitivo pelo qual o público redefine expectativas e associações sensoriais, deixando de lado imagens que evocam “nojo” ou desconhecido.

Esse resultado está em linha com estudos acadêmicos anteriores, que apontam que produtos à base de insetos em forma de farinha ou misturados a alimentos tradicionais têm muito mais chance de serem aceitos do que versões literais, com insetos inteiros no prato.

O estudo da Embrapa também destaca que a comunicação é chave: o contexto textual e visual pode transformar a percepção do consumidor — e não é só sobre esconder o inseto, mas destacar benefícios nutricionais, tradicionais e ambientais. Em um mundo onde a demanda global por proteínas cresce junto com a preocupação com sustentabilidade, essa pode ser uma pista concreta para a popularização de fontes alternativas de alimento como essa.

Mas por que isso importa? A resposta está no futuro do alimento: proteínas alternativas — incluindo insetos comestíveis — podem ser parte da solução para reduzir o impacto ambiental da produção animal tradicional, que exige mais água, terra e emite mais gases de efeito estufa. Embora ainda haja resistência cultural, projetos científicos como esse da Embrapa mostram que não se trata apenas de tecnologia alimentar, mas também de transformar a forma como pensamos e falamos sobre comida.