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Economia

Com R$ 131 bi em investimentos até 2030, celulose deve puxar PIB de 1,2% de MS

Setor concentra maior volume de investimentos privados do Centro-Oeste; produção deve crescer 17% em 2026

Por Viviane Monteiro, de Brasília | 02/03/2026 17:11
Com R$ 131 bi em investimentos até 2030, celulose deve puxar PIB de 1,2% de MS
Armazenamento de celulose em fábrica de Ribas do Rio Pardo (Foto: Osmar Veiga/Arquivo)

Impulsionada por investimentos da ordem de R$ 131 bilhões até 2030, a indústria de celulose assume em 2026 o protagonismo da economia de Mato Grosso do Sul. Após um ano em que a agropecuária sustentou a expansão do PIB estadual acima da média nacional, será o avanço do setor industrial – especialmente da celulose – que deve garantir o crescimento neste ano – conforme projeções da Tendências Consultoria ao Campo Grande News.

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A indústria de celulose deve liderar a economia de Mato Grosso do Sul em 2026, impulsionada por investimentos de R$ 131 bilhões até 2030. O setor projeta crescimento de 17% no próximo ano, revertendo a retração de 1,3% registrada em 2025.O PIB sul-mato-grossense deve crescer 1,2% em 2026, abaixo da média nacional de 1,6%. O estado concentra o maior volume de investimentos privados do Centro-Oeste, com oito grandes projetos de celulose em andamento, incluindo empreendimentos da Suzano, Arauco, Bracell e Paper Excellence.

Segundo a previsão, o PIB sul-mato-grossense, que tem crescimento estimado em 4,3% em 2025, deve apresentar uma taxa menor este ano, de 1,2%, ficando abaixo da média nacional e na última posição entre os estados do Centro-Oeste.

No cenário nacional, a expectativa é de que a alta do PIB brasileiro desacelere de 2,3% em 2025 para 1,6% em 2026. Os dados oficiais de 2025 serão divulgados pelo IBGE nesta terça-feira (3), às 9h.

Dentro desse contexto, a celulose deve crescer 17% em 2026, revertendo a retração de 1,3% registrada em 2025, de acordo com análise da economista Camila Saito, sócia da Tendências, em entrevista ao Campo Grande News. No ano passado, o desempenho da indústria estadual foi ainda mais negativo, com queda acumulada de 13%, puxada principalmente pelos biocombustíveis e pela própria celulose.


Com R$ 131 bi em investimentos até 2030, celulose deve puxar PIB de 1,2% de MS
Camila Saito, sócia da Tendências Consultoria (Foto: Divulgação)

“O resultado foi puxado principalmente pelo setor de biocombustíveis, que registrou forte retração, além da celulose, que apresentou leve recuo de 1,3%.”

Para este ano, a expectativa é ainda de recuperação da indústria de biocombustíveis – que deve crescer 8% sobre 2025 – e, sobretudo, de um cenário mais positivo para a celulose, impulsionado pela entrada em operação do Projeto Cerrado, da Suzano, uma das maiores e mais modernas fábricas do mundo.

“Com isso, projetamos um crescimento de 17% na produção de celulose em 2026, no âmbito estadual. Esse avanço tende a ter impacto relevante sobre a indústria como um todo e contribuir de forma positiva para o PIB do Estado”, analisa Camila Saito.

Maior volume de investimentos privados do Centro-Oeste

O estudo da Tendências, ao qual o Campo Grande News teve acesso, aponta que Mato Grosso do Sul concentra o maior volume de investimentos privados projetados para o Centro-Oeste entre 2024 e 2030, com aportes estimados em R$ 131 bilhões, impulsionados por projetos da Suzano, Arauco, Bracell e Paper Excellence.

Foram mapeados dez projetos na região, dos quais oito estão em território sul-mato-grossense, a maioria no Vale da Celulose. O levantamento também identificou investimentos nas áreas de mineração, petróleo e biocombustíveis.

Com R$ 131 bi em investimentos até 2030, celulose deve puxar PIB de 1,2% de MS

Fonte: Tendências Consultoria

Agro ainda pesa, mas perde força em 2026

A previsão inicial da Tendências para o PIB estadual é inferior à estimativa do primeiro relatório Resenha Regional do Banco do Brasil deste ano, que projeta alta de 1,9% em 2026, após avanço de 5,4% em 2025. Ambas as projeções indicam desempenho acima da média nacional no ano passado.

Pelas estimativas da Tendências, o crescimento do PIB estadual no ano passado (4,3%) foi impulsionado pela expansão de 18,3% do agronegócio, especialmente soja, milho e carne bovina. A expectativa para 2026 é de um leve recuo de 1,0%.

A economista destaca a vocação econômica do estado e o peso expressivo da agropecuária no PIB que é 26%, bem acima da média nacional (7%). A indústria responde por 22,3% no PIB, liderada por alimentos (40%), papel e celulose (35%) e biocombustíveis, principalmente etanol (20%). Comércio e serviços concentram 51,7% da atividade econômica.

“O Estado tem essa forte vocação na agroindústria; com uma resiliência um pouco maior, tem uma dinâmica diferente da do país como um todo”, disse a economista.

A retração do agronegócio este ano é puxada pela queda nos abates bovinos, após vários anos consecutivos de crescimento expressivo. Isso decorre principalmente da menor disponibilidade de animais prontos para abate e do aumento da retenção de fêmeas para recomposição dos rebanhos.

Apesar da retração do agronegócio, o nível de atividade permanece elevado em termos históricos. Trata-se de um ajuste após um período de forte expansão, e não de uma reversão estrutural.

Avanço da celulose no PIB industrial 

Com a ampliação da capacidade instalada, a tendência é de que, no médio prazo, a celulose amplie sua participação no parque industrial do estado, já que o setor apresenta desempenho acima da média industrial. Atualmente, responde por 35% da indústria estadual, segundo pesos oficiais do IBGE baseados na estrutura de 2022 (PIN). Eventual atualização depende de revisão dos dados pelo instituto.

Na esteira do cenário nacional, o PIB do Centro-Oeste, segundo cálculos ainda não consolidados, deve ter desacelerado de 3,9%, no ano passado, para 1,9%, em 2026, sob a influência negativa da agropecuária, especialmente da produção de carne bovina. Mesmo assim, a taxa deve ficar acima da média nacional.

As estimativas são positivas para a produção de grãos (com exceção do arroz), além da indústria, mercado de trabalho e comércio. Mesmo com ritmo menor, o crescimento regional deve ser liderado por Mato Grosso, cujo PIB deve ter avançado 4,8% em 2025 e crescer 2,2% em 2026. Em Goiás, de 3,6% para 1,8%; e no Distrito Federal, de 3,3% para 2,1%.