Gasolina cai na refinaria, mas desconto trava nas distribuidoras
Queda não chegou às bombas em MS, e consumidor seguiu pagando quase o mesmo valor

A redução anunciada pela Petrobras no preço da gasolina — 5,2% nas refinarias, o equivalente a R$ 0,14 por litro — não chegou ao bolso do consumidor em Mato Grosso do Sul. No trajeto entre a refinaria e a bomba, o desconto praticamente evaporou.
RESUMO
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A redução de 5,2% no preço da gasolina anunciada pela Petrobras não chegou efetivamente ao consumidor em Mato Grosso do Sul. Do desconto de R$ 0,14 por litro nas refinarias, apenas R$ 0,01 a R$ 0,04 foram repassados aos postos, segundo o Sinpetro-MS. As distribuidoras, elo intermediário da cadeia, retiveram a maior parte do benefício, entre R$ 0,10 e R$ 0,13 por litro. Elas justificam a decisão pelo aumento do preço do etanol anidro e pelos estoques adquiridos anteriormente a valores mais elevados, evidenciando a falta de transparência na formação dos preços dos combustíveis no Brasil.
Enquanto o anúncio nacional gerou expectativa de alívio no preço do combustível, o que se viu nos postos foi outra realidade: repasse de apenas 1 a 4 centavos por litro, segundo relatos de revendedores ao Sinpetro-MS.
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A diferença levanta uma pergunta inevitável: quem ficou com o restante do desconto?
A resposta aponta para o elo menos visível — e menos cobrado — da cadeia: as distribuidoras.
O desconto caiu, mas não desceu
Ao contrário do que muitos consumidores imaginam, os postos não compram combustível diretamente da Petrobras. Após a refinaria, o produto passa obrigatoriamente pelas distribuidoras, responsáveis por definir quanto, quando e se o desconto será repassado.
Na prática, mesmo com a redução oficial anunciada pela estatal, as distribuidoras não transferiram integralmente o valor aos postos, o que inviabilizou qualquer redução real nas bombas.
O resultado foi um corte expressivo na origem que virou centavos na ponta final, frustrando motoristas e alimentando a sensação de que o preço do combustível nunca baixa na mesma velocidade que sobe.
Distribuidoras ficam com a diferença
A conta é simples: se a Petrobras reduziu R$ 0,14 por litro e o posto recebeu, no máximo, R$ 0,04, entre 10 e 13 centavos ficaram retidos no meio do caminho.
Esse valor não desapareceu. Ele foi absorvido pelas distribuidoras — responsáveis pela logística, armazenamento e comercialização — que, mais uma vez, ficaram com a maior parte do benefício gerado pela queda anunciada.
Enquanto isso, o consumidor seguiu pagando praticamente o mesmo preço, e os postos continuaram sendo o alvo das cobranças.
Posto apanha, mas não define o preço
Segundo o Sinpetro-MS, o revendedor é o elo mais pressionado da cadeia, mesmo sendo justamente o que menos controla a formação do preço.
É no caixa do posto que o cliente reclama, questiona e desconfia. Mas é longe dali — nos contratos e nas decisões comerciais das distribuidoras — que o valor final é definido.
“Cria-se uma percepção injusta de que o posto é o responsável direto pelo preço, quando ele apenas revende um produto adquirido com valor já imposto”, aponta o sindicato.
Etanol vira argumento, não explicação
As distribuidoras alegam dois fatores para justificar o repasse reduzido:
o aumento do preço do etanol anidro, que compõe cerca de 30% da gasolina;
e estoques comprados anteriormente a preços mais altos.
Para o setor varejista, porém, esses argumentos não explicam por que uma redução nacional tão expressiva resultou em um impacto praticamente simbólico ao consumidor final.
Na prática, o que se vê é um mercado em que as altas são repassadas rapidamente, mas as quedas enfrentam resistência — sobretudo quando dependem da decisão de quem atua no meio da cadeia.
Falta transparência e sobra desconfiança
O episódio expõe um problema antigo: a falta de transparência na formação do preço dos combustíveis no Brasil.
Quando a Petrobras reduz, o consumidor espera reflexo imediato.
Quando isso não acontece, cresce a sensação de abuso, oportunismo e desequilíbrio — principalmente quando o desconto para na mão de quem não aparece na bomba, não conversa com o cliente e não enfrenta a insatisfação direta da população.
Enquanto isso, motoristas seguem abastecendo sem entender por que o preço sobe rápido, mas desce devagar — ou simplesmente não desce.


