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Economia

Redução da jornada para 36h pode elevar custos da indústria em R$ 2,2 bi em MS

Projeção da indústria aponta efeito bilionário nos custos trabalhistas com redução da jornada semanal

Por José Cândido | 10/02/2026 16:48
Redução da jornada para 36h pode elevar custos da indústria em R$ 2,2 bi em MS
Com redução da jornada de trabalho, Indústria prevê efeitos bilionários na folha de pagamento e encargos trabalhistas. (Foto divulgação)

A proposta de reduzir a jornada de trabalho para 36 horas semanais pode ter um efeito bilionário sobre os custos da indústria brasileira — e Mato Grosso do Sul não ficaria de fora dessa conta. Estudo do Observatório da Indústria do Sistema FIEMS estima que a medida aumentaria em 25,1% os gastos com pessoal formal direto no setor industrial, gerando um impacto adicional de R$ 2,2 bilhões por ano no Estado.

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A proposta de redução da jornada de trabalho para 36 horas semanais pode gerar um impacto de R$ 2,2 bilhões por ano nos custos da indústria de Mato Grosso do Sul, segundo estudo do Observatório da Indústria do Sistema FIEMS. O aumento estimado de 25,1% nos gastos com pessoal formal direto reflete a necessidade de novas contratações para manter a produção. No cenário nacional, o impacto projetado é de R$ 178,8 bilhões anuais, com São Paulo liderando o ranking com R$ 62,3 bilhões. O setor industrial alerta para possíveis efeitos negativos na competitividade e geração de empregos, defendendo que mudanças trabalhistas devem estar atreladas a ganhos reais de produtividade.

No recorte nacional, o impacto é ainda mais expressivo. A projeção, baseada em estimativa da CNI, aponta que a redução da jornada elevaria os custos da indústria em R$ 178,8 bilhões anuais, considerando apenas despesas diretas com folha de pagamento e encargos trabalhistas.

O levantamento parte do pressuposto de que, para manter o mesmo nível de produção com menos horas trabalhadas, as empresas teriam de ampliar contratações ou pagar mais horas extras, pressionando diretamente a estrutura de custos. A estimativa replica de forma linear o impacto de 25,1% sobre os gastos anuais com pessoal diretamente empregado na indústria.

MS responde por 1,2% do impacto nacional

No ranking por unidades da federação, Mato Grosso do Sul aparece na 15ª posição, com 1,2% do impacto total nacional. Atualmente, a indústria sul-mato-grossense tem uma despesa anual estimada em R$ 8,8 bilhões com pessoal direto. Com a redução da jornada, esse valor saltaria em mais de R$ 2,2 bilhões.

Embora o percentual pareça menor quando comparado aos grandes polos industriais do país, o impacto é considerado relevante para uma economia fortemente ligada à agroindústria, à celulose, à proteína animal e à transformação de matérias-primas.

Sudeste concentra maior peso da conta

São Paulo lidera com folga o ranking nacional. O Estado teria um impacto adicional estimado em R$ 62,3 bilhões, o equivalente a 34,9% do total brasileiro. Na sequência aparecem Minas Gerais (R$ 18,2 bilhões), Rio de Janeiro (R$ 16,3 bilhões), Paraná (R$ 13,4 bilhões) e Santa Catarina (R$ 13 bilhões).

Juntos, esses cinco estados concentram mais de 70% do impacto financeiro da redução da jornada sobre a indústria nacional, refletindo o peso econômico e o nível de industrialização dessas regiões.

Debate trabalhista com reflexos econômicos

A discussão sobre a redução da jornada de trabalho tem ganhado espaço no debate político e sindical, frequentemente associada a ganhos de qualidade de vida e produtividade. No entanto, o estudo da indústria chama atenção para os efeitos colaterais econômicos, especialmente em um cenário de margens apertadas, juros elevados e forte concorrência internacional.

Para o setor industrial, o alerta é de que mudanças estruturais no mercado de trabalho precisam vir acompanhadas de ganhos reais de produtividade, sob risco de perda de competitividade, retração de investimentos e até redução de postos formais no médio prazo.

No caso de Mato Grosso do Sul, onde a indústria tem papel estratégico na geração de empregos e na sustentação das exportações, o impacto de R$ 2,2 bilhões por ano reforça a dimensão do desafio e coloca o tema no centro do debate econômico estadual.