30% dos médicos se formam sem preparo mínimo, alerta Conselho de Medicina em MS
CRM concorda que Campo Grande não tem estrutura para comportar novas faculdades de medicina

O CRM-MS (Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul) concorda com freio na criação de novos cursos de Medicina em Mato Grosso do Sul, não somente pela quantidade excessiva de médicos na cidade, mas pela falta de qualidade na formação. O debate ganhou força depois que o MEC (Ministério da Educação e Cultura) negou a instalação de duas novas faculdades na Capital sob o argumento de número de médicos acima do nível nacional.
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O Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso do Sul (CRM-MS) alerta sobre os riscos da abertura desenfreada de cursos de Medicina em Campo Grande. A entidade destaca que, além da quantidade excessiva de médicos na capital, a falta de qualidade na formação compromete a segurança dos pacientes. Dados do Conselho Federal de Medicina revelam que 56% dos cursos mal avaliados no Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica foram criados após 2014. O CRM-MS aponta que cerca de 30% dos graduados recebem diploma sem competências mínimas e defende a implementação do Exame Nacional de Proficiência em Medicina como requisito para registro profissional.
Segundo o CRM-MS, o aumento desordenado de vagas sem a qualificação necessária compromete a segurança do paciente e a confiança no sistema de saúde. O conselho monitora os pedidos de abertura de novos cursos em todo o estado. Dados do CFM (Conselho Federal de Medicina) indicam que 56% dos cursos mal avaliados no último Enamed (Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica) foram criados a partir de 2014.
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O CRM também questiona o critério quantitativo utilizado pelo MEC para embasar decisões sobre novos cursos. Para a entidade, o número de médicos por habitante não reflete, por si só, a realidade da assistência. “O indicador ignora a competência técnica. Hoje, cerca de 30% dos graduados recebem o diploma sem as competências mínimas. O número de médicos na Capital não garante saúde se não houver rigor, transparência e responsabilidade na formação desses profissionais”, aponta o conselho.
Na avaliação do CRM-MS, Campo Grande enfrenta um cenário de saturação da infraestrutura do ensino de Medicina. “Para comportar novos cursos, seriam necessários campos de prática suficientes e hospitais com critérios mínimos de qualidade, o que o CFM alerta estar em falta há mais de uma década. Sem isso, novos cursos apenas precarizam o aprendizado dos alunos que já estão na Capital”, afirma.
Em relação ao interior do Estado, a entidade acredita que a maioria das cidades não possui estrutura hospitalar nem professores suficientes para uma formação de excelência. A criação de cursos em locais sem estrutura adequada resultaria em médicos despreparados para situações críticas.
Para o conselho, a interiorização da medicina não passa pela abertura indiscriminada de faculdades e sim pela criação de políticas de fixação para médicos no interior. Outra prioridade seria a implementação do Profimed (Exame Nacional de Proficiência em Medicina) como requisito para obtenção do registro médico. “A prioridade deve ser garantir que apenas médicos devidamente capacitados ingressem no mercado, independentemente da região”, conclui.
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