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Diversão

Para ativar memória, filho leva mãe para ver folia no Calçadão da Barão

Blocos de rua fazem pré-Carnaval no Bar do Zé e saem em cortejo pelo Centro

Por Natália Olliver | 31/01/2026 12:36
Para ativar memória, filho leva mãe para ver folia no Calçadão da Barão
Gerson Jara e a mãe, Narcisa Canhete batem ponto todo ano no calçadão da Barão (Foto: Natália Olliver)

Todo ano, Gerson Jara, de 58 anos, repete o mesmo ritual. Coloca uma cadeira de praia no calçadão da Rua Barão do Rio Branco para a mãe, Narcisa Canhete Jata, de 82 anos, conseguir assistir ao grito de Carnaval de rua. Ela adora ouvir as músicas e ver a animação dos foliões na estreia do cronograma de folia, que começa oficialmente no dia 7 e vai até o dia 21 de fevereiro.

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O Carnaval de rua em Campo Grande ganha força com a participação de 13 blocos tradicionais, organizados pela Aglomeração de Blocos de Carnaval de Rua (ABC). A programação, que acontece de 7 a 21 de fevereiro, tem como ponto central o Centro da cidade, com destaque para a Esplanada Ferroviária e o calçadão da Barão do Rio Branco. Entre as histórias que marcam a festa, está a de Gerson Jara, 58 anos, que leva sua mãe Narcisa, 82, diagnosticada com Alzheimer, para assistir aos blocos. Enquanto alguns grupos mantêm a tradição no Centro, outros apostam na descentralização, levando o Carnaval para bairros como Vila Margarida, Taquarussu e Novos Estados.

Com a memória começando a falhar, o jeito que o filho encontrou para manter viva a magia da época em que ela pulava Carnaval nos clubes da cidade foi esse: algumas horinhas na calçada de um dos bares mais tradicionais da Capital, o Bar do Zé.

“Para tirar ela da rotina, eu trago. É o terceiro ano que venho no grito de Carnaval dos blocos. De certa forma, ela resgata a memória”, conta Gerson, enquanto Narcisa escuta sentada.

A Esplanada Ferroviária, segundo ele, não funciona para a mãe. O ambiente é mais intenso, menos previsível e sem banheiros próximos. No calçadão há sombra e tempo. Narcisa aprova. “Eu gosto muito de ouvir. Minha mãe não deixava quando eu era solteira. Mas eu amava, gosto da música”, diz.

Para ativar memória, filho leva mãe para ver folia no Calçadão da Barão
Para ativar memória, filho leva mãe para ver folia no Calçadão da Barão
Pré-Carnaval no calçadão da Rua Barão do Rio Branco (Foto: Natália Olliver)

A abertura do evento começou às 10h30 e segue até 13h, com cortejo pelo Centro. A concentração sai pela Rua 14 de Julho, rumo à Rua Cândido Mariano e retorna ao calçadão da Barão. Ao todo, 13 blocos participam da programação organizada pela ABC (Aglomeração de Blocos de Carnaval de Rua).

Estão entre eles nomes, os tradicionais como Depravada, Cordão da Valu, que completa 20 anos em 2026, Capivara Blasé, Farofolia, considerado o maior bloco LGBT da cidade, Bloco Eita, Subaquera, entre outros.

Lucas Pereira Mourão, do Bloco Subaquera, defende que o Carnaval tem que ir para os bairros. “Nosso bloco é pequeno, mas já tem 10 anos. A ideia é ir para os bairros, fortalecer a comunidade”, afirma.

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Lucas Pereira Mourão, representante do Bloco Subaquera(Foto: Natália Olliver)

O Subaquera já passou pelo bairro Taquarussu, Novos Estados e Itanhangá. Em 2026, ocupa a Vila Margarida no dia 16, segunda-feira de Carnaval. O evento vai das 16h às 00h.

“A expectativa está grande. A gente espera bastante gente, que movimente a economia, tanto do Centro como do bairro. Campo Grande está prosperando nessa cultura do Carnaval. Quanto mais tiver, melhor”, diz Lucas.

Para Assis Goulart, do Bloco Eita, começar no Centro não é detalhe logístico. É declaração de pertencimento. “Aqui é o palco do Carnaval de Campo Grande”, resume. No terceiro ano do bloco, a expectativa é alta, com novidades e alianças. “São todos amigos nossos”, afirma.

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Ao todo, 13 blocos participam da programação organizada pela ABC (Foto: Natália Olliver)

Ele lembra que blocos tradicionais, como As Depravadas, estão há quase 30 anos ocupando a mesma calçada, próxima a bares históricos da boemia campo-grandense. “Para a gente, é uma honra fazer parte dessa história, aprender com quem veio antes e imprimir nossa identidade”, diz.

Silvana Valu, uma das vozes mais antigas do Carnaval de rua, está esperançosa este ano. “O Carnaval de rua se dá na Esplanada Ferroviária, no Bar do Zé e no calçadão da Barão. São locais históricos, é importante reafirmar isso”.

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Ela aposta alto em 2026 e diz que a organização está mais fechada, harmônica. “Vamos fazer o melhor Carnaval dos últimos anos, pela organização. Os blocos cresceram, estamos investindo na produção artística. Acho que o campo-grandense ganha, a economia ganha, o turismo ganha. Esse Carnaval vai ser o máximo.”

É uma promessa ambiciosa. O Centro pulsa, os bairros avançam e, no meio disso tudo, uma senhora de 82 anos escuta música sentada numa cadeira de praia.