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Política

Em reunião de emergência com vereadores, prefeitura tenta manter taxa de lixo

Secretários apresentam números sobre desequilíbrio financeiro enquanto vereadores avaliam impactos no imposto

Por Inara Silva e João Vitor Marques | 31/01/2026 12:11
Em reunião de emergência com vereadores, prefeitura tenta manter taxa de lixo
Secretários e vereadores reuniram-se na Câmara Municipal de Campo Grande (Foto: Assessoria de Imprensa)

Neste sábado, secretários municipais e vereadores de Campo Grande se reuniram na Câmara Municipal para discutir a polêmica em torno do IPTU 2026 (Imposto Predial e Territorial Urbano), em mais um capítulo do embate entre Executivo e Legislativo sobre a cobrança e os impactos do tributo. O foco do encontro foi manter a taxa de lixo, referente à coleta, remoção e destinação de resíduos sólidos domiciliares, lançada junto ao imposto. O tema entra na pauta da Câmara na próxima terça-feira (3), o que motivou a realização da reunião de emergência com os parlamentares.

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A Prefeitura de Campo Grande realizou reunião emergencial com vereadores para defender a manutenção da taxa de lixo no IPTU 2026. Os secretários municipais apresentaram dados que mostram desequilíbrio entre arrecadação e despesas: em 2025, os custos foram de R$ 137 milhões, enquanto a receita ficou em R$ 41,8 milhões. O tema será votado na Câmara Municipal na próxima terça-feira. Em discussão está o veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto que suspendeu alterações na cobrança da taxa. Os vereadores questionam os aumentos considerados elevados em comparação a 2025 e a redução do desconto para pagamento à vista de 20% para 10%.

A portas fechadas, os secretários municipais de Infraestrutura e Serviços, Marcelo Miglioli, e de Governo, Ulisses Rocha, apresentaram dados técnicos para defender a manutenção do veto da prefeita Adriane Lopes ao projeto aprovado pelos vereadores que suspendeu os efeitos do decreto que alterou a cobrança da taxa de lixo, medida que impacta diretamente o valor do IPTU para a população.

Em reunião de emergência com vereadores, prefeitura tenta manter taxa de lixo
Secretários Municipal de Infraestrutura e Serviços, Marcelo Miglioli. (Foto: Paulo Francis)

Desequilíbrio financeiro - Segundo Miglioli, a Prefeitura sustenta que a taxa é necessária para o equilíbrio das finanças municipais. Ele apresentou números que apontam um descompasso entre arrecadação e despesas com coleta e tratamento de resíduos. Em 2023, o município gastou cerca de R$ 119 milhões e arrecadou R$ 35 milhões; em 2024, as despesas chegaram a R$ 123,5 milhões frente a R$ 41 milhões de receita; e, em 2025, os custos subiram para R$ 137 milhões, enquanto a arrecadação ficou em torno de R$ 41,8 milhões. O secretário afirmou que a correção da taxa é fundamental para melhorar os serviços de limpeza urbana e zeladoria.

O secretário de Governo, Ulisses Rocha, explicou que a reunião teve como objetivo esclarecer aos vereadores os argumentos do Executivo em defesa do veto. De acordo com ele, embora o debate público envolva o IPTU como um todo, a mudança aprovada pelos parlamentares tratou exclusivamente dos critérios da taxa de resíduos, que foram revertidos ao modelo de 2018. A Prefeitura, por sua vez, defende parâmetros mais recentes, considerados mais justos do ponto de vista socioeconômico.

Em reunião de emergência com vereadores, prefeitura tenta manter taxa de lixo
Secretário Municipal de Governo, Ulisses Rocha (Foto: Paulo Francis)

Arrecadação com taxa de lixo - O secretário de Governo reforçou que os dados mostram um forte desequilíbrio entre receitas e despesas. Conforme Ulisses, o município arrecada cerca de R$ 40 milhões por ano com a taxa de lixo, enquanto os gastos com coleta, tratamento de resíduos e serviços de zeladoria chegam a aproximadamente R$ 180 milhões, obrigando a administração a remanejar recursos de outras áreas para manter os serviços.

Vereadores - Já o presidente da Câmara Municipal, Epaminondas Vicente Silva Neto, o Papy, afirmou que os vereadores receberam informações técnicas para embasar a votação. Segundo ele, nos últimos dias os parlamentares ouviram representantes do setor produtivo, que defendem a derrubada do veto por causa dos impactos financeiros, além de secretários municipais, que apresentaram planilhas com os custos e a arrecadação da limpeza urbana.

Papy destacou que o encontro teve caráter de esclarecimento, sem pressão, e ressaltou a necessidade de uma solução rápida, já que o prazo para pagamento do IPTU com desconto de 10% termina no dia 12. Ele também mencionou a existência de alternativas em discussão para ajustar tanto a taxa de lixo quanto os descontos, na tentativa de construir um consenso após semanas de desgaste entre os dois poderes.

Em reunião de emergência com vereadores, prefeitura tenta manter taxa de lixo
Vereadores em reunião de emergência com secretários municipais (Foto: Assessoria de imprensa)

A discussão ganhou força nas últimas semanas após moradores reclamarem de aumentos considerados elevados em comparação a 2025, além de questionamentos sobre transparência e critérios de cobrança. Diante disso, os vereadores passaram a defender, além da exclusão da taxa do lixo, descontos mais vantajosos, como o abatimento de 20% para pagamento à vista, que foi reduzido para 10% e contribuiu para a percepção de aumento do imposto.

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