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Policiais investigados por contrabando perdem cargo de chefia

Célio Rodrigues Monteiro e Edivaldo Quevedo da Fonseca foram presos durante ação que investiga contrabando

Por Ana Paula Chuva | 20/03/2026 08:38
Policiais investigados por contrabando perdem cargo de chefia
Edivaldo (à esquerda) e Célio (à direita), ambos presos na operação (Foto: Reprodução)

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul dispensou das funções de chefia os dois investigadores Célio Rodrigues Monteiro, o "Manga Rosa", e Edivaldo Quevedo da Fonseca, presos durante a Operação Iscariotes, deflagrada pela Polícia Federal na quarta-feira (18), que apura esquema de contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro.

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Dois investigadores da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul foram dispensados de cargos de chefia após serem presos na Operação Iscariotes, da Polícia Federal. Célio Rodrigues Monteiro e Edivaldo Quevedo da Fonseca são investigados por envolvimento em esquema de contrabando, corrupção e lavagem de dinheiro.A operação, que mobilizou 200 policiais federais, cumpriu 90 ordens judiciais e bloqueou R$ 40 milhões em bens. Os investigadores, que permanecem nos quadros da Secretaria de Justiça e Segurança Pública, teriam usado informações sigilosas e suas funções públicas para beneficiar o grupo criminoso.

As dispensas foram publicadas no Diário Oficial desta sexta-feira (20) e são assinadas pelo delegado-geral Lupersio Degerone Lucio. Foram retirados das funções de confiança de chefe de seção, os investigadores Célio, que atuava na Delegacia de Polícia Civil de Sidrolândia, e Edivaldo que estava lotado na 5ª Delegacia de Polícia Civil de Campo Grande. A medida tem efeito retroativo a 18 de março de 2026.

Os dois foram presos pela Polícia Federal durante a Operação Iscariotes. Célio Monteiro já havia sido alvo da Snow e da Omertà e, conforme dados públicos, recebe salário superior a R$ 14 mil, tendo sido investigado anteriormente por suspeitas que incluem ligação com tráfico e lavagem de dinheiro.

Já Edivaldo Quevedo havia sido preso em 2024 por descaminho, após ser flagrado transportando mercadorias sem documentação fiscal. Na ocasião, pagou fiança e respondia ao processo em liberdade.

Apesar da dispensa das funções de chefia, ambos permanecem nos quadros da Sejusp (Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública).

Policiais investigados por contrabando perdem cargo de chefia
Equipe da PF retirando mercadorias dos boxes do Camelódromo (Foto: Osmar Veiga)

Operação - Durante a operação desta quarta-feira (18), 200 policiais federais cumpriram cerca de 90 ordens judiciais, sendo 31 mandados de busca e apreensão, 4 mandados de prisão preventiva, 1 monitoramento eletrônico, 2 afastamentos de função pública, 6 suspensões de porte de arma e bloqueio de bens de 12 pessoas físicas e jurídicas, que somam cerca de R$ 40 milhões.

A investigação revelou esquema envolvendo policiais civis e militares, da ativa e aposentados, para transportar mercadorias ilegais. O grupo ainda atuava na lavagem de dinheiro para ocultar a origem dos valores obtidos com a prática criminosa.

Os policiais estiveram em endereços no Bairro Universitário e no condomínio Alphaville, além dos 4 boxes no Camelódromo e duas lojas em um posto de gasolina pertencentes a Clenio Alisson Tavares e o filho dele Brendon Alisson Medeiros Tavares.

Além das delegacias onde Edivaldo e Célio estavam lotados. Os dois foram presos em suas casas  e a investigação apontou que  eles atuavam desde o fornecimento e monitoramento indevido de informações sigilosas extraídas de sistemas policiais oficiais até o transporte físico das mercadorias, com aparente utilização da função pública para favorecer a atuação do grupo.

Célio teve o mandado cumprido na unidade de Sidrolândia para onde foi transferido  após ser alvo da operação Snow, deflagrada em março de 2024. No entanto, quatro anos antes, ele foi preso na operação Omertà. Manga Rosa foi acusado de lavagem de dinheiro do grupo ligado à exploração do jogo do bicho, mas acabou sendo inocentado em primeiro e segundo graus.


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