Mesmo com alta escolaridade, população negra segue em desvantagem no trabalho
Dados do IBGE indicam menor renda e mais informalidade entre negros no Estado

Dados do 2º trimestre de 2025 da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua mostram que a população negra continua sendo maioria em Mato Grosso do Sul, mas enfrenta desigualdades persistentes no mercado de trabalho.
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A população negra em Mato Grosso do Sul, que representa 56,4% dos habitantes, enfrenta disparidades significativas no mercado de trabalho, segundo dados da Pnad Contínua do 2º trimestre de 2025. As diferenças salariais são evidentes: mulheres negras recebem em média R$ 3.171, enquanto homens não negros chegam a R$ 4.911. A desigualdade persiste mesmo com maior escolaridade. Na região Centro-Oeste, profissionais negros com ensino superior recebem 29,4% menos que não negros com mesma formação. A informalidade também é maior entre trabalhadores negros, atingindo 31% no estado, com 28% recebendo até um salário mínimo.
Segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), negros representam 56,4% dos moradores do Estado, proporção semelhante à média do Centro-Oeste, mas com diferenças relevantes quando o assunto é renda, informalidade e acesso a melhores ocupações.
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Em Mato Grosso do Sul, o rendimento médio da população negra ficou abaixo do observado entre não negros. As mulheres negras receberam, em média, R$ 3.171, enquanto os homens negros tiveram rendimento médio de R$ 3.533. Entre os não negros, os valores foram mais altos, chegando a R$ 4.911 no caso dos homens, evidenciando uma distância salarial que se mantém mesmo dentro do mesmo território e setor econômico.
O levantamento também aponta que 28% da população negra ocupada no Estado ganhava até um salário mínimo no período analisado. O dado coloca Mato Grosso do Sul abaixo da média nacional, mas ainda indica que mais de um quarto dos trabalhadores negros permanecem concentrados nas faixas de menor remuneração, o que limita mobilidade social e consumo.
A informalidade segue como outro entrave estrutural. No Estado, a taxa entre trabalhadores negros chegou a 31%, índice superior ao registrado entre não negros. Isso significa menos proteção social, menor contribuição previdenciária e maior exposição a oscilações econômicas, cenário que se repete em toda a região Centro-Oeste, segundo a Pnad Contínua.
Mesmo quando alcançam o ensino superior, as diferenças persistem. No Centro-Oeste, trabalhadores negros com diploma tiveram rendimento médio de R$ 5.843, valor 29,4% menor do que o recebido por não negros com a mesma escolaridade, que chegaram a R$ 8.276.

