ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, SEXTA  02    CAMPO GRANDE 26º

Economia

Mesmo com alta escolaridade, população negra segue em desvantagem no trabalho

Dados do IBGE indicam menor renda e mais informalidade entre negros no Estado

Por Kamila Alcântara | 02/01/2026 07:47
Mesmo com alta escolaridade, população negra segue em desvantagem no trabalho
Trabalhadora mostra a Carteira de Trabalho enquanto segura uma senha para atendimento relacionado a vagas de emprego (Foto: Edson Lopes Jr.)

Dados do 2º trimestre de 2025 da PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua mostram que a população negra continua sendo maioria em Mato Grosso do Sul, mas enfrenta desigualdades persistentes no mercado de trabalho.

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A população negra em Mato Grosso do Sul, que representa 56,4% dos habitantes, enfrenta disparidades significativas no mercado de trabalho, segundo dados da Pnad Contínua do 2º trimestre de 2025. As diferenças salariais são evidentes: mulheres negras recebem em média R$ 3.171, enquanto homens não negros chegam a R$ 4.911. A desigualdade persiste mesmo com maior escolaridade. Na região Centro-Oeste, profissionais negros com ensino superior recebem 29,4% menos que não negros com mesma formação. A informalidade também é maior entre trabalhadores negros, atingindo 31% no estado, com 28% recebendo até um salário mínimo.

Segundo levantamento do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), negros representam 56,4% dos moradores do Estado, proporção semelhante à média do Centro-Oeste, mas com diferenças relevantes quando o assunto é renda, informalidade e acesso a melhores ocupações.

Em Mato Grosso do Sul, o rendimento médio da população negra ficou abaixo do observado entre não negros. As mulheres negras receberam, em média, R$ 3.171, enquanto os homens negros tiveram rendimento médio de R$ 3.533. Entre os não negros, os valores foram mais altos, chegando a R$ 4.911 no caso dos homens, evidenciando uma distância salarial que se mantém mesmo dentro do mesmo território e setor econômico.

O levantamento também aponta que 28% da população negra ocupada no Estado ganhava até um salário mínimo no período analisado. O dado coloca Mato Grosso do Sul abaixo da média nacional, mas ainda indica que mais de um quarto dos trabalhadores negros permanecem concentrados nas faixas de menor remuneração, o que limita mobilidade social e consumo.

A informalidade segue como outro entrave estrutural. No Estado, a taxa entre trabalhadores negros chegou a 31%, índice superior ao registrado entre não negros. Isso significa menos proteção social, menor contribuição previdenciária e maior exposição a oscilações econômicas, cenário que se repete em toda a região Centro-Oeste, segundo a Pnad Contínua.

Mesmo quando alcançam o ensino superior, as diferenças persistem. No Centro-Oeste, trabalhadores negros com diploma tiveram rendimento médio de R$ 5.843, valor 29,4% menor do que o recebido por não negros com a mesma escolaridade, que chegaram a R$ 8.276.