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Comportamento

Eddy já tocou com Délio e Delinha e hoje desafia doença com música

Há 10 anos ele virou professor e se recusa a deixar quadro neuromuscular e degenerativo vencer

Por Natália Olliver | 13/02/2026 07:46
Eddy já tocou com Délio e Delinha e hoje desafia doença com música
 Eddy Carlos Melo toca desde os 5 anos e já trabalhou com Délio e Delinha (Foto: Marcos Maluf)

A música não foi apenas um caminho para Eddy Carlos Melo, foi o que o manteve vivo quando o corpo tentou parar. Músico desde os 5 anos, ele carrega no currículo a responsabilidade de ter feito a bateria para Délio e Delinha aos 14 anos. Depois disso, a vida virou de cabeça para baixo.

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Eddy Carlos Melo, músico desde os 5 anos, enfrenta a Miastenia gravis, doença neuromuscular degenerativa, sem abandonar sua paixão pela música. Aos 14 anos, tocou bateria para a dupla Délio e Delinha, e hoje domina 14 instrumentos diferentes, mesmo com as limitações físicas impostas pela condição. Professor de música há 7 anos em sua Academia do Violão, em Campo Grande, ele atende 20 alunos com aulas individuais. Apesar das dificuldades na fala e movimentos, Eddy transformou o diagnóstico que o sentenciou à morte prematura em motivação para viver e ensinar música, cobrando entre R$ 100 e R$ 150 por aula.

Uma doença neuromuscular degenerativa deixou os músculos fracos, mas isso não foi impedimento para largar os 14 instrumentos que toca, pelo contrário, hoje ele é professor de música. Chamada de Miastenia gravis, a condição o acompanhava desde bebê, mas começou a se manifestar de fato e atrapalhar a qualidade de vida de Eddy aos 15 anos.

Mesmo com o cenário complicado, ele prefere olhar a vida com olhos positivos. Eddy fala com dificuldade, o tom da voz é baixo e os movimentos lentos. Longe do peso da doença, ele escolhe um violão e toca.

Eddy já tocou com Délio e Delinha e hoje desafia doença com música
Eddy toca 14 instrumentos, entre eles a bateria, violão e viola (Foto: Marcos Maluf)

"Muitos escolhem morrer ou esperar a morte em uma cama. Eu escolho viver e hoje estou 14 instrumentos: violão, bateria, cavaquinho, guitarra, contrabaixo, viola. Eu escolhi viver e vivo a vida todo dia como se fosse o último. Seja na música ou na minha vida como marido e pai. Eu não escolho viver como doente. É muito fácil escolher isso. Eu sou uma pessoa que faço um desafio e já quero outro. Eu quero viver".

Ele conta que os médicos deram uma "sentença de morte" precoce, disseram que Eddy não passaria dos 14 anos. Os pais ficaram sem chão. Foi preciso trabalhar a mente para ressignificar a vida e a condição que o levou para a cadeira de rodas há 10 anos.

"Até os 15, tinha uma vida independente, corria, jogava bola. Eu não aceitava a situação em que eu estava. Deus mudou minha vida. Vi que, independente disso, eu tenho uma vida. Fui superando cada obstáculo. Eu comecei tocando violão aos 5 anos, o teclado veio depois e fui acrescentando mais instrumentos. Cresci na música, no sertanejo, no rock. Eu sou fã do Guns N' Roses. Tinha muitos pais de amigos meus que escutavam eles e Legião Urbana, levei isso pra minha vida. A minha primeira música foi Meu País é Esse".

O professor trata o instrumento como um treino diário de repetição e disciplina na escola que mantém nos fundos de casa há 7 anos. Eddy enfrenta a física do próprio corpo: o contrabaixo exige um esforço enorme para ser tocado por ele e o cavaquinho, muitas vezes, só sobe com o auxílio das duas mãos.

Eddy já tocou com Délio e Delinha e hoje desafia doença com música
Eddy já tocou com Délio e Delinha e hoje desafia doença com música
O violão foi o primeiro instrumento que Eddy tocou aos 5 anos (Foto: Marcos Maluf)

"As aulas entraram na minha vida há mais de 10 anos, mas a minha empresa de violão tem 7. Comecei porque as pessoas me elogiavam, mas não levava a sério. Aí comecei a trabalhar com aulinhas brincando, alguns amigos que queriam tocar, depois foi aparecendo mais gente. Antes da pandemia eu trabalhava na escola de outras pessoas. Aí fui e montei a minha e batizei de Academia do Violão".

Ali, ele não vende fórmulas mágicas aos seus 20 alunos. Eddy explica que ensina o processo de "destravar os dedos", respeitando o tempo de cada um para evitar a frustração.

"O segredo pra quem quer aprender é ter amor ao instrumento, se tiver vai aprender qualquer instrumento. A dedicação é o segredo. Não adianta falar que tem fórmula secreta, o negócio é dedicar".

A música salvou a vida de Eddy Carlos Melo e agora ele usa essa mesma ferramenta para "destravar" os dedos de novos alunos no bairro Nova Bahia. O preço varia de acordo com o instrumento, mas vai de R$ 100 a R$ 150.

Confira a galeria de imagens:

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"Quando coloquei o nome na minha empresa quis falar que o instrumento também é um treino. Acaba sendo uma academia porque todo dia tem que treinar. Não é pegar o instrumento e achar que vai sair tocando da noite pro dia. Se a pessoa se dedicar, em 1 mês sai alguma coisa. Tem um processo e tem que respeitar".

Para ele, a música salva, os instrumentos salvam, mas tem gente que não dá o devido valor, acha que é uma coisa banal. "Se as pessoas compreendessem melhor, colocariam as crianças para fazer aula de instrumento".

A Academia do Violão fica na Rua Itapuã, 453, no bairro Nova Bahia. Os atendimentos são individuais e com horário marcado. Interessados podem entrar em contato diretamente com Eddy para consultar disponibilidade de vagas e instrumentos.

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