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Comportamento

Leonardo ensina karatê para manter viva uma herança de Okinawa

Praticante desde a infância, Leonardo ensina a arte também pela memória dos antepassados

Por Clayton Neves | 10/02/2026 07:10
Leonardo ensina karatê para manter viva uma herança de Okinawa
Leonardo entrou no esporte aos 12 anos e hoje ensina técnicas. (Foto: Juliano Almeida)

Leonardo Takayassu Sone cresceu ouvindo histórias de família e rodeado da forte presença da cultura okinawana. Desde a infância, o karatê faz parte da vida do atleta e não apenas como esporte, mas como um elo com os antepassados. Hoje, além de praticar, ele ensina a arte como forma de manter viva uma herança cultural que atravessou oceanos até chegar a Mato Grosso do Sul.

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Leonardo Takayassu Sone mantém viva a tradição do karatê de Okinawa em Campo Grande, Mato Grosso do Sul. Inspirado pelo avô materno, filho de refugiados okinawanos, o atleta iniciou sua jornada nas artes marciais aos 4 anos com o judô, descobrindo o karatê aos 12. O estilo praticado por Leonardo difere do karatê competitivo, focando na autodefesa e preservação cultural. Com influências do kung fu chinês e outras artes marciais asiáticas, esta modalidade é conhecida como "karatê da longa vida". O professor ministra aulas na Associação Okinawa de Campo Grande, contribuindo para manter viva uma tradição que, segundo ele, pode ter chegado à cidade já em 1909.

Leonardo conta que a principal inspiração veio do avô materno, Yeitsi Takayassu, filho de refugiados okinawanos que vieram para o Estado. “Eu lembro dele acordando muito cedo todos os dias para correr e fazer alongamentos. Era uma rotina muito forte”, conta.

Segundo ele, Yeitsi não praticava artes marciais, mas cultivava o cuidado com o corpo e incentivava o neto a se interessar por lutas, histórias do Japão e grandes nomes do esporte, como Muhammad Ali.

Leonardo ensina karatê para manter viva uma herança de Okinawa
Atleta durante treinamento com bastões okinawanos na Associação Okinawa de SP. (Foto: Arquivo Pessoal)

Foi nesse ambiente que Leonardo deu os primeiros passos na área. Primeiro no judô ainda criança, aos 4 anos, até conhecer o karatê aos 12. Com o tempo, o atleta decidiu se aprofundar no karatê de Okinawa, o berço de todos os estilos. “Eu escolhi focar no karatê pela minha ancestralidade. É uma forma de divulgar a cultura do meu povo”, explica.

A filosofia da prática está diretamente ligada à história da ilha de Okinawa, que recebeu influência de várias culturas asiáticas.“O karatê de Okinawa tem influência do kung fu chinês, do boxe das Filipinas e de artes antigas da Tailândia. É uma mistura”, diz.

“Assim como a capoeira, ele carrega identidade. Muitas técnicas eram escondidas em danças, porque a prática da luta foi proibida por muito tempo”, detalha. Para quem observa com atenção, é possível reconhecer movimentos marciais nas danças tradicionais da ilha.

Leonardo ensina karatê para manter viva uma herança de Okinawa
Técnicas do karatê reforçam defesa pessoal. (Foto: Arquivo Pessoal)
Leonardo ensina karatê para manter viva uma herança de Okinawa
Leonardo durante graduação de MMA japonês. (Foto: Arquivo Pessoal)

Além do aspecto cultural, ele destaca os benefícios físicos e mentais. “O karatê trabalha muito a coordenação, o equilíbrio do corpo e ajuda a reduzir a ansiedade. Os movimentos são de contração e relaxamento constantes”, explica. Por respeitar os limites individuais, o estilo também é conhecido como o karatê da longa vida. “É raro um mestre dessa modalidade morrer antes dos 80 anos”, comenta.

Atualmente, Leonardo dá aulas em Campo Grande e reforça que o espaço é aberto a todos, não apenas a descendentes de okinawanos. “É um convite para conhecer essa cultura. A colônia de Okinawa é muito receptiva e fica feliz quando alguém se interessa, seja pela comida, pela história ou pelas artes”, afirma.

Segundo ele, manter essa tradição viva, para ele, é também uma forma de valorizar a história da cidade. “Campo Grande tem uma ligação muito antiga com o karatê. Existem indícios de que, fora de Okinawa, este pode ter sido um dos primeiros lugares do mundo onde a arte foi praticada, por volta de 1909”, afirma.

Leonardo ensina karatê para manter viva uma herança de Okinawa
Aulas são para crianças a partir dos 12 anos. (Foto: Arquivo Pessoal)

Passando a arte milenar adiante, Leonardo afirma que cumpre a missão de preservar identidade e respeito aos que vieram antes. “Conhecer o karatê de Okinawa é conhecer a história dos nossos ancestrais”, finaliza.

As aulas acontecem na Associação Okinawa de Campo Grande, na Rua dos Barbosas, 110. O telefone para contato é o (67) 99975-1228.

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