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Meio Ambiente

Uso do fogo em fazendas mantém MS em alerta mesmo sem extremos climáticos

Cemaden aponta transição climática precoce no Estado, com chuvas irregulares e menor umidade do solo

Por Inara Silva | 27/01/2026 06:27
Uso do fogo em fazendas mantém MS em alerta mesmo sem extremos climáticos
Área pegando fogo no Pantanal de Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação/Arquivo/Imasul)

Mesmo com a redução expressiva do risco extremo de queimadas no Brasil no início de 2026, Mato Grosso do Sul segue em situação de atenção em grande parte do território, atingindo 36 municípios. Outras 35 cidades estão em observação, enquanto 8 apresentam baixa probabilidade de eventos ligados ao fogo.

RESUMO

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Mato Grosso do Sul mantém 36 municípios em situação de atenção para queimadas no início de 2026, mesmo com redução do risco extremo no Brasil. O cenário não é causado por eventos climáticos severos, mas pela combinação do uso frequente do fogo no campo e uma transição climática precoce. De acordo com o Cemaden, o Estado apresenta maior sensibilidade às mudanças climáticas, com chuvas irregulares e menor umidade nos biomas Cerrado e Pantanal. O risco atual está mais associado ao comportamento humano, especialmente nas áreas de uso intensivo do solo, onde o fogo é utilizado como ferramenta no manejo agropecuário.

O cenário, segundo levantamento do Cemaden (Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais), não é provocado por eventos climáticos severos, mas pela combinação entre o uso recorrente do fogo no campo e uma transição climática mais precoce, marcada por chuvas irregulares e menor umidade acumulada nos biomas Cerrado e Pantanal.

Os dados apontam que, no trimestre de janeiro a março de 2026, o país entra em um cenário mais favorável em relação aos incêndios florestais, com 101 municípios em alerta alto, concentrados quase exclusivamente no Nordeste. Nas regiões Norte, Centro-Oeste, Sudeste e Sul, predomina a classificação de observação e baixa probabilidade, reflexo da atuação da estação chuvosa e da recuperação da umidade do solo.

Em Mato Grosso do Sul, no entanto, embora não haja municípios classificados em alerta alto ou alerta, o Estado passou a ser dominado por áreas em nível de atenção e observação, o que indica que o risco diminuiu, mas não foi eliminado.

Segundo o desenvolvedor do Cemaden com foco em queimadas, Wanderson Henrique dos Santos, o padrão observado no Estado mostra que o fator humano tem peso maior que as condições climáticas extremas neste momento.

“As áreas que migraram para atenção refletem principalmente regiões de uso do solo mais intenso, onde o fogo ainda é uma ferramenta recorrente no manejo agropecuário. O risco hoje está muito mais associado ao comportamento humano do que a extremos climáticos”, explicou.

Uso do fogo em fazendas mantém MS em alerta mesmo sem extremos climáticos
Brigadista combete incêndio florestal em Mato Grosso do Sul (Foto: Arquivo)

Transição climática e uso do solo - Para Wanderson Henrique dos Santos, o comportamento de risco no Estado está diretamente ligado à antecipação da fase de transição climática em relação a outros estados da região Centro-Oeste.

“O Mato Grosso do Sul está migrando mais cedo para uma transição climática, com chuvas menos regulares e menor recarga de umidade no solo. Enquanto o Mato Grosso ainda mantém um amortecimento maior da estação chuvosa, aqui pequenas variações já se refletem em mudança de classe de alerta”, explicou.

Segundo ele, essa sensibilidade aumenta com os impactos do manejo inadequado do fogo. O estudo do Cemaden demonstra que o determinante “não é evento extremo, é acúmulo de condições de risco”.

“Quando se combina essa condição climática mais frágil com o uso intensivo do solo e a prática do fogo nas atividades agropecuárias, o risco se eleva mesmo sem extremos climáticos”, completou.

Conforme o relatório do Cemaden, “o risco está mais associado ao comportamento humano do que às condições climáticas extremas, exigindo vigilância, prevenção e resposta rápida, especialmente para evitar que queimadas pontuais evoluam para eventos maiores”.

Cerrado e PantanalSegundo o Cemaden, a maior parte dos municípios em atenção está localizada no bioma Cerrado, onde predominam áreas agrícolas consolidadas e o uso recorrente do fogo como ferramenta de manejo.

O padrão técnico identificado foi a migração de baixa probabilidade ou observação para atenção, caracterizando um acúmulo de fatores de risco, e não episódios extremos pontuais.

No Pantanal, o comportamento é ainda mais sensível. “O Pantanal responde muito rápido à perda de umidade. Por isso, mesmo uma mudança pequena já acende o alerta. A atenção aqui é preventiva, mas extremamente relevante”, ressaltou Wanderson.

Uso do fogo em fazendas mantém MS em alerta mesmo sem extremos climáticos
Brigadisas combatem incêndio florestal. (Foto: Arquivo)

Cenários futuros - Conforme o levantamento, na comparação com o ano passado, 2026 apresenta um leve aumento das áreas em atenção em Mato Grosso do Sul.

Em 2025, o Estado estava em uma condição mais favorável, com maior predominância de baixa probabilidade de fogo. Agora, o alívio climático diminuiu e parte do território voltou a migrar para níveis intermediários de risco, tendência que também foi observada em 2024.

“O risco não desaparece, ele se redistribui. Em 2026 vemos ampliação das áreas sensíveis, o que indica menor margem de segurança ao longo do ano”, avaliou o especialista.

Projeção para a seca - Conforme o Cemaden, o fato de Mato Grosso do Sul já apresentar áreas em atenção durante a estação chuvosa indica que julho e agosto podem trazer avanço para níveis de alerta e até, pontualmente, alerta alto, principalmente nos municípios com histórico de uso do fogo no campo.

“A transição climática mais precoce reduz a folga de umidade do solo. Isso faz com que o território fique mais reativo. Onde o risco já aparece agora, a tendência é de agravamento ao longo da estiagem se não houver prevenção”, concluiu Wanderson.

Uso do fogo em fazendas mantém MS em alerta mesmo sem extremos climáticos

Municípios em atenção - O avanço do nível de atenção foi observado em praticamente todo o Estado, de norte a sul, conforme mostra a cor amarela no mapa acima.

Norte/Nordeste de MS (8 municípios)

  • Transição Cerrado–Pantanal e áreas agrícolas consolidadas.
  • Municípios: Costa Rica; Coxim; Pedro Gomes; Figueirão; São Gabriel do Oeste; Rio Verde de Mato Grosso; Paranaíba; Aparecida do Taboado.
  • Região sensível à variabilidade de chuvas e com histórico de uso do fogo em áreas agropecuárias.

Região Centro (7 municípios)

  • Coração do Cerrado, com pressão antrópica (ação do homem) contínua:
  • Municípios: Campo Grande; Terenos; Sidrolândia; Dois Irmãos do Buriti; Corguinho; Ribas do Rio Pardo; Nova Alvorada do Sul.
  • Região de chuvas irregulares e manejo intenso do solo.

Região Leste (4 municípios)

  • Eixo florestal, silvicultura e agricultura intensiva.
  • Municípios: Três Lagoas; Brasilândia; Água Clara; Santa Rita do Pardo.
  • Região onde o risco cresce mesmo fora do período seco tradicional, exigindo vigilância antecipada.

Sul e Cone-Sul (11 municípios)

  • Área de fronteira agrícola e pressão recorrente.
  • Municípios: Dourados; Rio Brilhante; Ivinhema; Nova Andradina; Angélica; Iguatemi; Japorã; Tacuru; Paranhos; Coronel Sapucaia; Ponta Porã.
  • Forte associação com o uso do fogo agropecuário, mesmo sob condições ainda não críticas.

Pantanal Sul (6 municípios)

  • Bioma sensível, com resposta rápida às mudanças ambientais.
  • Municípios: Corumbá; Aquidauana; Miranda; Bonito; Jardim; Guia Lopes da Laguna.
  • Dados históricos recentes indicam eventos extremos no Pantanal.

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