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Não é brincadeira, o instinto de caça não sai do DNA dos cães

Especialista alerta que comportamento exige orientação para evitar acidentes e prejuízos ao animal

Por Geniffer Valeriano | 17/01/2026 07:53
Não é brincadeira, o instinto de caça não sai do DNA dos cães
Brincadeiras de perseguir e buscar são formas que ajudam a canalizar o instinto de caça de forma segura (Foto: Reprodução Freepik)

Correr atrás de insetos, capturar pequenos animais ou tentar caçar aves é uma cena comum para muitos tutores de cães. Apesar de parecer inofensivo aos olhos humanos, o comportamento de caça não deve ser tratado de forma superficial. Quando ocorre em contextos inadequados, pode trazer prejuízos tanto ao animal quanto aos tutores.

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O instinto de caça em cães, embora natural e ligado à origem predadora da espécie, requer atenção especial dos tutores. Algumas raças, especialmente as desenvolvidas para auxiliar na caça, como os terriers, apresentam maior predisposição para esse comportamento, que pode representar riscos quando manifestado em contextos inadequados. Especialistas recomendam o manejo adequado do instinto através de comandos básicos e atividades lúdicas supervisionadas. O acompanhamento profissional é fundamental para prevenir comportamentos compulsivos e garantir que o animal expresse seu instinto natural de forma segura, sem comprometer seu bem-estar ou colocar em risco outros animais e pessoas.

Segundo o biólogo e analista do comportamento aplicado ao condicionamento e bem-estar animal Alexandre dos Santos Borges, de 34 anos, o instinto de caça é uma característica natural dos cães ligada à origem predadora da espécie. “Apesar de terem sido domesticados, cães são predadores. A caça é um comportamento comum em predadores e está relacionada à sobrevivência e ao sucesso evolutivo”, explica.

Algumas raças apresentam maior predisposição para esse tipo de comportamento, especialmente aquelas historicamente utilizadas para auxiliar humanos na caça. É o caso dos cães do grupo dos terriers, como Jack Russell, Fox Terrier e Yorkshire, desenvolvidos para perseguir pequenos roedores. Ainda assim, outras raças também podem manifestar o instinto, em maior ou menor intensidade.

“Esses comportamentos têm base genética, são autorrecompensantes e podem ser reforçados por suas consequências imediatas. Assim como nós, humanos, somos animais sociais, o cão é um predador e tem necessidade da caça. Estímulos como o movimento de correr ou voar podem desencadear comportamentos como perseguir, morder e capturar”, detalha Alexandre.

O problema surge quando a caça deixa de ser apenas um comportamento natural e passa a representar risco. Entre os perigos estão ferimentos, transmissão de parasitas, doenças graves e até intoxicações. Além disso, o cão pode desenvolver comportamentos compulsivos, aumentando o risco de ataques a outros animais domésticos e até a crianças.

Não é brincadeira, o instinto de caça não sai do DNA dos cães
Alexandre atua há 8 anos com análise do comportamento aplicada a condicionamento e bem-estar de animais (Foto: Arquivo Pessoal)

O especialista ressalta que o comportamento só pode ser considerado inofensivo quando o cão vive em um contexto de manejo adequado, com as necessidades físicas e mentais atendidas. Nessas situações, impedir a caça em ambientes de risco não compromete o bem-estar do animal.

“O comportamento, apesar de biológico, pode indicar uma carência importante na rotina desse cão e deve ser avaliado por profissionais. Um animal com rotina harmônica reduz as chances de desenvolver comportamentos problemáticos”.

Ao presenciar tentativas de caça, a orientação é não agir por impulso. Qualquer intervenção deve levar em conta o contexto de vida do animal e, preferencialmente, contar com acompanhamento profissional. Soluções genéricas podem agravar o problema e gerar novos comportamentos indesejados.

Segundo Alexandre, o manejo do instinto de caça é possível com avaliação individualizada. “Comandos como ‘senta’, ‘fica’ e ‘junto’, aliados a atividades lúdicas que envolvem perseguir, buscar bolinha ou brinquedos, morder e passeios estruturados, ajudam a atender às necessidades da espécie e também às individuais do cão”, explica.

O acompanhamento profissional é indicado de forma preventiva, desde a chegada do animal ao lar, mas o especialista destaca que nunca é tarde para ajustes, independentemente da idade. “Os animais, no contexto doméstico, são extremamente dependentes. Os comportamentos não são culpa do cão, mas respostas aos estímulos do ambiente. Por isso, é fundamental investir na educação dessa família multiespécie como um todo”, conclui.

Por fim, o especialista reforça que o instinto de caça não deve ser eliminado, e sim manejado ao longo da vida. A proposta é oferecer alternativas seguras para que o cão possa expressar esse comportamento natural sem colocar em risco a si mesmo, outras pessoas ou o ambiente.

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