Relação comercial exige pragmatismo e não politização, diz Riedel
Governador vê "mercado gigantesco" na Ásia; em entrevista, falou ainda de política e até sobre vida privada
RESUMO
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O governador de Mato Grosso do Sul, Eduardo Riedel, defende o pragmatismo nas relações comerciais globais, em um contexto de mudanças geopolíticas e disputas tarifárias. Riedel, em entrevista ao podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, citou a experiência do estado com a sobretaxa imposta por Donald Trump a produtos brasileiros, destacando a capacidade de adaptação do mercado. Apesar da preocupação com o setor de tilápia, o governador demonstrou otimismo com a diversificação de mercados, especialmente na Ásia. Riedel ressaltou a importância de Mato Grosso do Sul buscar relações comerciais com países como Índia, Japão e Singapura. A atração de indústrias para o processamento de commodities e o foco em energia renovável também foram mencionados como estratégias para o desenvolvimento econômico. O governador ainda abordou a queda na arrecadação de ICMS devido à redução na importação de gás boliviano e a necessidade de cortes de gastos, garantindo, porém, a manutenção de investimentos em infraestrutura. Por fim, comentou sobre sua recente filiação ao PP e a relação com outros partidos, afirmando que uma eventual candidatura à reeleição dependerá da construção de alianças políticas.
Ainda impactados com as exigências tarifárias feitas pelo Governo dos EUA (Estados Unidos da América), os países devem agir de forma pragmática e se afastar da politização na discussão e redefinição das relações comerciais. A avaliação é do governador Eduardo Riedel, do PP, que falou ao Podcast Na Íntegra, do Campo Grande News, e admitiu ter ficado apreensivo quando o presidente Donald Trump anunciou sobretaxa a produtos brasileiros, mas o tempo revelou que o próprio mercado acabou fazendo com que o cenário fosse moldado.
A celulose e o ferro gusa, dois produtos que saem de Mato Grosso do Sul para o mercado norte-americano, foram excluídos; o setor da carne reorganizou a destinação da produção, com exceção da tilápia, com duas indústrias no Estado, que ainda despertam preocupação.
O mundo todo tá falando disso. Às vezes a gente valoriza muito aqui, a nossa realidade, mas é uma realidade que está posta numa nova ordem comercial global e, claro, com uma série de interesses geopolíticos por trás.
Por outro lado, ao retornar de viagem à Ásia, onde visitou Índia, Japão e Singapura para “enxergar oportunidades”, Riedel demonstra muito otimismo com a ampliação das relações comerciais com os tigres asiáticos. Ele menciona a importância dos produtos de Mato Grosso do Sul (MS) para a China, o interesse do Japão, que deve começar a comprar carne bovina, e a possibilidade da venda da tilápia que seguiria para os EUA para Singapura e distribuição a países da região. “Lá tem um mercado gigantesco e em ascensão, a gente tem que ter esse pragmatismo comercial com muita clareza e transparência. Essa agenda nós é que temos que impor.”
O governador falou ainda sobre a mobilização para atrair mais indústrias para o Estado com foco no processamento de commodities, para agregar valor, e ligadas à celulose. Ele menciona que a oferta de energia renovável favorece alguns setores que exigem essa matriz para investir e algumas indústrias já consolidadas acabam atraindo outras e desenvolvendo áreas como a prestação de serviços e o turismo, em uma cadeia de desenvolvimento.
Embora o Estado esteja num ritmo de crescimento superior à média nacional, o volume da arrecadação de tributos não seguiu na mesma proporção. Riedel atribuiu a frustração de receita, que forçou o anúncio de corte de gastos na média de 25%, especificamente à queda na importação do gás boliviano. Ponto de entrada do produto no País, MS fica com todo o ICMS (Imposto Sobre Circulação de Mercadorias), que já respondeu por 23% da arrecadação. Com a falta de investimentos pelo país vizinho, a oferta despencou e o peso na receita estadual também. De cerca de 30 milhões de m³, este ano não deve chegar a um terço disso o volume transportado. Essa queda acabou ofuscando o aumento do recolhimento em outros setores, explica.
O governador menciona que, apesar dos cortes, não há falta de recursos, mas uma priorização da sua destinação para investimentos em infraestrutura e para a garantia do pagamento de despesas e da folha.
A minha posição é muito bem definida. Estou em outro campo político e não abro mão dessa minha convicção, respeitando todas as outras.
Na entrevista, Riedel também falou sobre política. Na semana passada, ele se filiou ao PP e, na terça-feira, reuniu-se com parlamentares do PT, que anunciaram o desligamento da base de apoio. O governador considera natural que a posição ideológica cause o distanciamento, mas sustenta que isso não deve produzir reflexos nas relações dele com o Governo Federal e nem com as prefeituras. Ele afirma que a eventual candidatura à reeleição dependerá do arco de alianças a ser consolidado, citando partidos como PSD, Republicanos, PL, MDB, o próprio PSDB, do qual se desfiliou. “A gente não é candidato da gente, a gente é candidato de um grupo político.”
O governador também falou sobre como vivencia o exercício do poder, estreante em um mandato eletivo, já no principal cargo do Estado, e a relação com a vida privada.