ACOMPANHE-NOS     Campo Grande News no Facebook Campo Grande News no X Campo Grande News no Instagram Campo Grande News no TikTok Campo Grande News no Youtube
JANEIRO, SEGUNDA  19    CAMPO GRANDE 28º

Reportagens Especiais

Com 47 anos, hotel nasceu após conselho de amigo e envolveu família inteira

A iniciativa inspirou outros três negócios de hospedagem abertos pelo filho e por parentes em Campo Grande

Por Cassia Modena | 19/01/2026 08:15


Com 47 anos, hotel nasceu após conselho de amigo e envolveu família inteira
Letreiro luminoso do hotel ainda é o mesmo do passado e não será substituído (Foto: Henrique Kawaminami)

RESUMO

Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!

A família Santi iniciou sua jornada no ramo hoteleiro há 47 anos, quando o advogado Antonio José Santi Filho decidiu abrir o Hotel Paris em Campo Grande, inspirado por um conselho de um amigo. A iniciativa cresceu, envolvendo esposa, irmãos e filhos, que hoje administram quatro hotéis independentes. Claudete Maria Santi, esposa de Antonio, foi fundamental na gestão diária, transformando o local em um espaço acolhedor. Ao longo dos anos, o Hotel Paris enfrentou desafios, como a necessidade de modernização e a crise durante a pandemia. Glauciane, filha do casal, assumiu a administração após se formar em Direito e se especializar em gestão. Atualmente, o hotel passa por uma reforma para celebrar seus 50 anos, mantendo a essência de um espaço familiar e acolhedor.

“Por que você não abre um hotel? Campo Grande precisa”. Foi esse conselho de um amigo que inspirou o advogado paranaense Antonio José Santi Filho a entrar no ramo quando mudou-se para a cidade, há 47 anos. Assim que não só ele, mas a esposa, os dois irmãos e os dois filhos resolveram trabalhar com hospedagem também.

Hoje, os Santi são donos de quatro hotéis independentes entre si. O Paris, que foi aberto por Antonio primeiro, o Roma (de um dos irmãos), o Real (do outro irmão) e o Campo Grande (antigo Advanced, fundado por um dos filhos de Antonio).

A ideia fazia sentido na época porque era uma cidade em crescimento, que logo seria promovida à capital de Mato Grosso do Sul. Além disso, partiu de quem já era dono de um outro hotel e não se preocupava com concorrência.

O local escolhido para erguer o Paris foi um terreno na Avenida Gury Marques, ainda fora do perímetro urbano. Os clientes eram pessoas que vinham para ficar em Campo Grande, mas não tinham endereço fixo, tanto é que muitos chegaram a morar por anos nos quartos.

Mulher é a alma do Paris

Antonio fundou o primeiro hotel da família mesmo nunca trabalhando na área. Foi aprendendo na prática a ser empresário, contador e a administrar toda a parte burocrática. Em paralelo, fazia serviços de advocacia para um banco.

Com 47 anos, hotel nasceu após conselho de amigo e envolveu família inteira
De baixo para cima, o casal Antonio e Claudete e os dois filhos, Glauciene e Jean (Foto: Arquivo da família)

Mas quem deu personalidade ao lugar e se dedicou ao trabalho duro do dia a dia foi a esposa, Claudete Maria Santi. Ela fazia o café da manhã, a limpeza dos quartos, atendia clientes e depois começou a gerir funcionários. As mãos de mulher também decoraram, colocaram plantas e deixaram o hotel mais próximo do que seria uma segunda casa para os hóspedes.

Claudete conta que, no início, se beneficiou da troca de experiências entre mulheres que trabalhavam em outros hotéis de Campo Grande. Ela lembra nome por nome de quem ensinou o que sabe. Também não se pensava em concorrência naquele tempo.

Outra mulher com destaque na história é Maria Aparecida de Freitas. Ela foi babá dos filhos do casal, virou copeira, camareira, recepcionista e agora é governanta. Sem ela, Antonio e Claudete não dariam conta de assumir tanta coisa.

Com 47 anos, hotel nasceu após conselho de amigo e envolveu família inteira
Maria Aparecida sempre foi o braço direito da família e hoje é governanta (Foto: Henrique Kawaminami)

Mora e trabalha

Os filhos do casal, Glauciene e Jean Cleiton, eram muito pequenos quando o Paris foi inaugurado. Ela tinha 3 anos e ele era um bebê nascido há poucos meses.

Como os pais moravam e trabalhavam lá, os dois cresceram brincando na recepção, assistindo televisão na sala de estar dos hóspedes, atendendo telefone e gritando pela mãe quando algum cliente chegava pedindo um quarto.

Eram 10 os primeiros quartos, um bem ao lado do outro. Havia uma cozinha pequena e uma varanda que servia de estacionamento. Uma piscina e um segundo bloco com mais quartos vieram depois, quando a Avenida Gury Marques já estava sendo incorporada à área urbana da cidade.

Com 47 anos, hotel nasceu após conselho de amigo e envolveu família inteira
Família já morou em quartos deste corredor (Foto: Henrique Kawaminami)
Com 47 anos, hotel nasceu após conselho de amigo e envolveu família inteira
Glauciene, a tia Aidê Joana Santi e Jean em frente ao hotel da família (Foto: Arquivo da família)

Trabalhar com os filhos tão próximos nem sempre foi tranquilo. A mais velha lembra de quando eles acabaram com quase todo o café da manhã.

“Minha mãe fazia bolos, cucas e escondia para servir no dia seguinte. Teve uma vez que nós comemos tudo o que ela tinha preparado e a deixamos numa situação difícil com os clientes”, relata, rindo.

Hoje com 49 anos, Glauciene lembra que o maior sonho era ter a própria casa, apesar do carinho pelo lugar onde passou a infância e a adolescência. “Foi uma época muito boa porque a gente absorveu cultura de quem vinha de outros lugares e aprendeu o que era trabalhar vendo o que nossos pais faziam. Só que havia um desejo de ter o meu momento separado da família, com lazer e descanso”, diz. Ele foi realizado quando comprou o primeiro apartamento e foi estudar fora, aos 21 anos. Anos mais tarde, o irmão abriu o Hotel Advanced e se mudou para ele, enquanto os pais continuaram vivendo e trabalhando no Paris.

Com 47 anos, hotel nasceu após conselho de amigo e envolveu família inteira
Glauciene em 1986, na bancada da recepção do Hotel Paris (Foto: Arquivo da família)

Filha à frente, mudanças e crise

Quando tinha 50 anos, Antonio decidiu finalmente mudar-se do hotel para uma casa onde ainda hoje mora com Claudete. Deixou a direção e foi trabalhar com agricultura na propriedade herdada do pai.

O Hotel Paris já passava por uma transição forçada pela urgência de se modernizar, com computadores, nota fiscal eletrônica, TV a cabo e de atender às leis da acessibilidade, além de outras regras impostas às empresas dos anos 2000 para cá.

Quem assumiu a partir daí foi Glauciene, que já estava formada em Direito e se especializou em gestão para entender melhor sobre os negócios. Foi uma sucessão tranquila e bem preparada, ela afirma. Os pais continuaram presentes como conselheiros e consultores.

Com 47 anos, hotel nasceu após conselho de amigo e envolveu família inteira
Glauciene Santi no escritório onde também atua como advogada defendendo direitos de família e de negócios, seguindo os passos do pai (Foto: Henrique Kawaminami)

A pior crise do negócio foi durante a pandemia de covid-19. A administradora decidiu reduzir os funcionários, mas as portas ficaram abertas. Nesse período, foram hospedadas principalmente algumas pessoas que preferiram se isolar para não ter contato com a família enquanto faziam trabalhos que os deixavam expostos na Capital.

50 anos

O Hotel Paris passa por uma reforma geral para comemorar os 50 anos. O projeto mantém a alma de segunda casa simples e acolhedora do início, mas com um ar mais moderno.

"Queremos que continue sendo um espaço agradável, de acolhimento, de olhar cuidadoso, café quentinho. Que siga com a cultura que a nossa família colocou aqui dentro", finaliza Glauciene.

Com 47 anos, hotel nasceu após conselho de amigo e envolveu família inteira
Arcos e plantas que dão ar acolhedor ao hotel serão mantidos após a reforma (Foto: Henrique Kawaminami)

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.

Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.