Comitiva visita local onde fazendeiros e indígenas disputam terras
Representantes estiveram em Caarapó nesta terça (16) e devem percorrer o Estado nesta semana

Representantes dos povos indígenas desembarcaram em Mato Grosso do Sul nesta terça-feira (16) para mediar conflitos fundiários que resultaram em uma série de ataques contra a população que ocupa áreas rurais reivindicadas como territórios tradicionais.
Na tarde de hoje, a equipe com membros do MPI (Ministério dos Povos Indígenas), Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas), MPF (Ministério Público Federal) e lideranças estaduais foram escoltadas pela PRF (Polícia Rodoviária Federal) até Caarapó onde mais uma fazenda teria sido ocupada no fim de semana.
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No entanto, membros da comunidade indígena disseram ao Campo Grande News que desconhecem os supostos ataques recentes no município situado a 274 quilômetros da Capital. A reportagem apurou que as graves ameaças não se confirmaram. Ocorreu, de fato, um episódio armado contra um indígena em Douradina, onde a comitiva deve ir pela manhã desta quarta-feira (17).

No domingo (14), a Aty Guasu (Assembleia Geral do Povo Kaiowá e Guarani) tornou pública nota que cita o ataque, alegando ataque de fazendeiros que, em bandos, invadiram a Terra Indígena Panambi/Lagoa Rica. Na mesma tarde, no tekoha Guayrakamby'i, um homem de 43 anos foi baleado na perna.
Eloy Terena, secretário-executivo dos Povos Indígenas, disse à reportagem que repudia veemente a toda e qualquer forma de violência, e que o ministério deve mapear os aspectos encontrados em Mato Grosso do Sul. "Ali são territórios tradicionais, já possuem estudo antropológico confirmando a ocupação tradicional e a demarcação encontra-se já em fase avançada".
Segundo Terena, a movimentação por parte do Congresso Nacional que aprovou a lei do Marco Temporal causou a insegurança aos indígenas sul-mato-grossenses. "Essas manobras políticas, de fato, acabam causando uma instabilidade jurídica e social nas comunidades indígenas que há anos aguardam na demarcação dos seus territórios. Porque enquanto essa discussão perdurar no Supremo Tribunal Federal, nós, a administração pública, não podemos avançar. Está paralisada a demarcação".
O secretário pontuou que o Ministério da Justiça ponderou a presença da Força Nacional em áreas indígenas e que novo decreto, expedido no início da noite de hoje pelo ministro Ricardo Lewandowski, que autoriza o emprego na região de fronteira "nas atividades e nos serviços imprescindíveis à preservação da ordem pública e da incolumidade das pessoas e do patrimônio, em caráter episódico e planejado, por 90 dias".
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