Historieta fronteiriça: a prostituta escondida no saco
“Carpa” era o nome do grande saco usado para transportar a erva mate. As melhores eram de lona, provenientes da Argentina. Essas bolsas enormes tinham serventia variada: serviam de cama coletiva, eram usadas para secar feijão, arroz, milho e farinha de mandioca. Também cobriam os ranchos improvisados. Havia ainda um costume estranho: mulher só paria com essas bolsas vedando as paredes contra o vento.
Contrabando nas carpas.
Os primeiros contrabandos na fronteira foram de bebidas alcoólicas. As carpas ocultavam quantidade considerável de vermute, vinho, fernet, cachaça, conhaque e anis. Mas, pasmem, o principal “contrabando” na fronteira realizado dentro das carpas foi de prostitutas.
Um contrabando delicado.
A fronteira era lugar de homem valente. A valentia cobrava muitas vidas. Os assassinatos eram cotidianos. Como existiam pouquíssimas mulheres nos ervais, quando uma surgia pela região, a possibilidade dos “bochinchos”, das lutas, aumentava exponencialmente. Por isso, os administradores da fronteira entendiam que as prostitutas eram personas non gratas. A prostituição era proibida. A saída que os espertalhões encontraram foi colocar as mulheres do “amor em troca do dinheiro” escondidas dentro das carpas. Essas carpas, contendo prostitutas, eram embarcadas em pontos paraguaios distantes da fronteira. Passavam como carga de inestimável valor, sem se mostrarem até o destino final.
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