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Beba das Crônicas

O nosso sonhado teatro municipal

Por Edson Contar (*) | 26/03/2026 16:40

Passa o tempo, passa o vento, passam os intendentes e os prefeitos e cada dia parece mais distante o realizar do grande sonho de Conceição. Não aquela que “se subiu, ninguém sabe, ninguém viu!.” A nossa Conceição, mui­tos viram e aplaudiram, quando nos palcos improvisados de nossas primeiras peças tea­trais ela subia imponente e majestosa como grande atriz que era.

É a mesma Conceição que em 1932 deu vida a nossa primeira produção cinematográfica, produzida por Alexandre Wulfes e Líbero Luzardo, “Alma do Brasil”, magistralmente re­tratada no livro do inesquecível amigo José Octávio Guizzo.

É a mesma Conceição Ferreira que chegou a Campo Grande em 1928, com uma companhia de teatro, percorrendo cidades de Mato Grosso e por aqui resolveu ficar, plantar seus sonhos e dar vida ao nosso teatro doméstico, formando atores, encenando peças e participando ativa­mente dos movimentos sociais da cidade.

Dos palcos improvisados no Cine Trianon e Santa Helena, Conceição Ferreira liderou movimentos visando à construção do nosso teatro municipal, recebendo sempre promes­sas dos mandatários do município para a re­alização de seu grande sonho. Quando aqui chegou, algumas moças de nossa sociedade fa­ziam pequenas apresentações no Cine Central (irmãos Neder), representando “sketches” que incluíam a presença do cantor Jamil Gazal , Noêmia Santos Pereira, Iná e Eunice Machado, Alzira Azambuja, Deolinda Quito e Alice Sil­va, grupo que recebeu de Conceição Ferreira o apoio e orientação para apresentação de peças consagradas como “A morgadinha do val em flor” e “A ceia dos cardeais”.

Depois, a atriz reuniu outros jovens e ini­ciou a formação de atores e atrizes que viriam a ser a sensação da nossa ribalta, começando pela histórica estreia do Cine Trianon como palco teatral, encenando a peça ”Cabocla bo­nita”, de Marques Porto e Ary Sayão, na qual se destacaram seus primeiros alunos, tendo Con­ceição no papel principal, com Samuel Barbato, Luiza Campos Vidal, Gasparina Pepino, Faus­to Moraes, Otaviano de Souza, Djalma Leite e Francisco Leal Júnior em cena. Seguiram-se as peças “O gaiato de Lisboa”, “No mundo da lua” e muitas outras, todas com “retumbante suces­so”, de acordo com comentários dos jornais da época e destaque na “Revista da Serra”, publica­da por Aguinaldo Trouy nos anos trinta.

Nos anos oitenta, Conceição Ferreira re­cebeu da Fundação de Cultura de MS e do Cineclube de Campo Grande uma grande ho­menagem no palco do Teatro Glauce Rocha, precedida por uma apresentação documental do filme "Alma do Brasil". Ao seu lado, Waldir dos Santos Pereira e Otaviano de Souza que, com ela, participaram do filme.

Em 1992, nossa primeira grande dama do teatro partiu para outro plano e deixou sau­dade, além de não ver realizado seu sonho: a construção de um teatro Municipal. A Conceição da mú­sica “vivia no morro a sonhar, com coisas que o morro não tem”... A nossa Conceição viveu a sonhar com o nosso teatro que até hoje a cidade não viu.

Resta apenas esperar que um dia a Capital ganhe o sonhado espaço que servirá de palco para os que hoje batalham pela arte em nosso Estado e que o nosso teatro tenha o nome da grande atriz e mulher que abriu as cortinas de nossas ilusões. Que venha o Teatro Conceição Ferreira. Afinal, quem não “daria um milhão, para ver, outra vez, Conceição” ?

Eddson C Contar ( Alkontar)

 

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