Para que concessão de hidrovia saia do papel, ministério veda explosão de rochas
Navegabilidade do Rio Paraguai, segundo secretário do MMA, seria mantida apenas com dragagem de manutenção
Após reunião com representantes de comunidades tradicionais e de outros biomas que são passagem de fauna migratória, o presidente da COP15 (15ª Conferência das Partes) e secretário executivo do MMA (Ministério do Meio Ambiente), João Paulo Capobianco afirmou que uma das condições impostas pela pasta para que a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai siga adiante é que não seja realizada a remoção de rochas submersas.
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O Ministério do Meio Ambiente estabeleceu condições para a concessão da Hidrovia do Rio Paraguai, vetando a remoção de rochas submersas no tramo sul. Segundo João Paulo Capobianco, secretário executivo do MMA, apenas dragagens de manutenção serão permitidas para preservar a navegabilidade natural do rio. Representantes de 28 povos e comunidades tradicionais entregaram carta solicitando o cancelamento do projeto, temendo impactos ambientais. As comunidades também reivindicaram participação permanente na Convenção sobre Conservação das Espécies Migratórias, destacando seu conhecimento sobre a fauna local.
“O Ministério do Meio Ambiente já definiu como pré-condição para todo o tramo sul, que é o que está em discussão, a vedação de derrocamento e de aumento da área de navegação”, disse o secretário. Derrocamento ou derrocagem é o processo de remoção de rochas e obstáculos sólidos do leito de um rio ou canal para aumentar a profundidade e a largura da via navegável.
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Capobianco explicou que nesse quadro, a concessão a ser levada a leilão é uma hidrovia que mantenha a navegabilidade através, apenas, da dragagem de manutenção. “O que está se prevendo é a chamada dragagem de manutenção. Ou seja, você tem o leite natural e em alguns locais e em alguns momentos do ano, precisa fazer uma dragagem para manter aquele leite original navegável”, afirmou.
Por fim, destacou que o derrocamento provocaria danos ao regime hídrico e à fauna subaquática de toda a Bacia do Paraguai, impactando diretamente o rio. “(A Hidrovia do Rio Paraguai) é uma questão do governo brasileiro que evidentemente terá que obedecer toda a legislação ambiental, todos os procedimentos de consulta, de licenciamento, a avaliação de impacto ambiental e social”, assegurou.
Comunidades tradicionais - Antes de falar sobre a concessão com a imprensa, Capobianco se reuniu com representantes de 28 povos e comunidades tradicionais e originárias de várias partes do Brasil. Entre os pedidos, foi apresentada e entregue a ele carta aberta que pede o cancelamento do projeto. O mesmo documento foi apresentado esta semana aos deputados estaduais durante audiência na Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul.
Segundo o presidente da COP15, as entidades, comunidades e ambientalistas mostram preocupação em relação à concessão, e “é pertinente que se discuta e caso esse projeto avance, todos os cuidados serão tomados para evitar que isso gere impacto no Pantanal”, sustentou.

Cadeira permanente - Além desse pedido, as comunidades reivindicaram uma cadeira permanente na CMS (Convenção sobre a Conservação das Espécies Migratórias de Animais Silvestres) e nas próximas COPs. Sobre isso, Capobianco, que está à frente da COP por três anos, afirmou que irá propor ao secretariado da convenção que inclua formalmente um espaço de participação permanente de representações de povos indígenas e comunidades tradicionais.
“São eles que têm áreas fundamentais de passagem e espécies migratórias. Então, eles fazem parte disso, têm conhecimentos muito profundo, monitoram esses animais, sabem quando esses animais chegam e saem, eles têm um conhecimento muito adequado, muito aprofundado sobre esse fenômeno da migração de espécies”, discorreu.
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