Vídeo contesta versão da PM e mostra bombas iniciando caos que feriu florista
Imagens revelam artefatos sendo lançados e indicam que a confusão começou com a chegada da polícia
RESUMO
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Uma florista de 63 anos corre risco de perder a visão após ser atingida por estilhaços de bomba de efeito moral durante ação policial em Campo Grande (MS). Imagens de câmera de segurança contradizem a versão da Polícia Militar sobre o incidente, ocorrido em uma tabacaria no Jardim Leblon. A gravação mostra que a confusão teve início com o lançamento de bombas pelos policiais, diferentemente do relatado pela corporação, que alegou ter reagido ao arremesso de garrafas. Neide Fátima de Oliveira, que vendia flores no local, permanece internada aguardando cirurgia e impossibilitada de trabalhar. A família pretende registrar boletim de ocorrência para apuração do caso.
Vídeo de câmera de segurança obtido pelo Campo Grande News contradiz o registro feito pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul sobre a abordagem em uma tabacaria do Jardim Leblon, em Campo Grande, na madrugada de domingo (18). Enquanto a corporação sustenta que a florista Neide Fátima de Oliveira, de 63 anos, foi ferida por garrafas arremessadas durante a ação, as imagens mostram que a confusão começa com o lançamento de bombas de efeito moral e, em seguida, pessoas correm para o lado oposto. A florista foi atingida no rosto e corre risco de perder a visão.
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As imagens, gravadas por uma câmera de segurança, mostram o grupo de pessoas concentrado na calçada do estabelecimento quando uma bomba é lançada em direção ao local. Logo após a explosão, o cenário é de pânico e correria generalizada. Homens e mulheres deixam o local rapidamente, fugindo do barulho e da fumaça. Em nenhum momento o vídeo registra pessoas lançando garrafas, avançando contra policiais ou reagindo à abordagem.
O que se vê é a dispersão imediata após o uso do artefato. A sequência visual reforça que a confusão tem início com a explosão da bomba e não com qualquer confronto prévio, como aponta o registro policial.
Foi nesse contexto de caos, barulho intenso e correria que Neide acabou ferida. Conhecida por percorrer a cidade durante a madrugada vendendo flores, ela estava trabalhando quando foi atingida por estilhaços da bomba no rosto. O impacto provocou sangramento intenso e lesões graves em um dos olhos.
Desde então, a florista permanece internada em uma UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da Capital. Ela não consegue abrir o olho ferido, sente dores constantes e aguarda avaliação cirúrgica. A família foi informada sobre o risco real de perda definitiva da visão, o que tem causado angústia e apreensão.
Em vídeos gravados ainda no hospital, Neide afirma que ninguém arremessou garrafas contra os policiais e que a abordagem ocorreu de forma repentina. Segundo ela, os policiais chegaram já lançando bombas, sem aviso ou ordem de dispersão prévia.
Versão da PM - No registro apresentado pela Polícia Militar de Mato Grosso do Sul, a corporação informou que foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do sossego, com som alto, grande aglomeração e motociclistas realizando manobras perigosas. A nota sustenta que, com a chegada das equipes, houve animosidade e arremesso de garrafas contra os policiais, o que teria motivado o uso de granadas de efeito moral.
Ainda conforme esse registro, a florista teria procurado os policiais dizendo não saber como havia se ferido e, segundo o relato de uma pessoa identificada no local, a lesão poderia ter sido causada por uma garrafa de vidro lançada durante a dispersão.
O vídeo, no entanto, não sustenta essa versão. As imagens não mostram qualquer pessoa lançando objetos contra os policiais antes ou depois da explosão. O comportamento registrado é exclusivamente de fuga e dispersão após o lançamento da bomba.
Para a família, as imagens confirmam o que Neide sempre relatou. A filha, Poliana Roberta, afirma que a mãe havia atravessado a rua para buscar troco e foi atingida ao retornar, já em meio à confusão provocada pelas bombas.
Além do impacto físico, o episódio trouxe consequências emocionais e financeiras. A florista dependia das vendas noturnas para sustentar a casa e está impossibilitada de trabalhar. A família informou que pretende registrar boletim de ocorrência e cobrar apuração do caso, especialmente diante das imagens que contradizem a versão oficial.
O Campo Grande News mantém espaço aberto para manifestação da Polícia Militar de Mato Grosso do Sul sobre o conteúdo do vídeo e os questionamentos levantados pelas imagens.

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