Florista ferida por estilhaço de bomba contesta versão de ataque a policiais
Neide Fátima de Oliveira nega que clientes de tabacaria tenham jogado garrafas em militares durante abordagem
RESUMO
Nossa ferramenta de IA resume a notícia para você!
Uma florista de 63 anos foi atingida por estilhaços de bomba de efeito moral durante uma abordagem policial em uma tabacaria no Jardim Leblon, Campo Grande. Neide Fátima de Oliveira, que está hospitalizada e corre risco de perder a visão, nega que houve arremesso de garrafas contra os policiais, contradizendo a versão oficial. A Polícia Militar alega que foi acionada por perturbação do sossego e que houve hostilidade por parte dos frequentadores. A família da vítima, que aguarda avaliação cirúrgica, pretende registrar boletim de ocorrência para apuração do caso. A florista, que trabalha há anos na região, defende que os jovens são educados e pede moderação nas abordagens policiais.
Em vídeo, a florista Neide Fátima de Oliveira, 63 anos, atingida por estilhaços de bomba de efeito moral afirma que ninguém arremessou garrafas contra os policiais militares que realizavam a abordagem na madrugada do domingo (18), em uma tabacaria do Jardim Leblon, em Campo Grande.
Ainda hospitalizada e com risco de perder a visão, Neide conta que no momento em que os policiais chegaram ela estava indo levar o troco para um rapaz que havia acabado de comprar uma rosa.
“O casal estava sentado eu ofereci ‘vamos comprar uma rosinha’ e o rapaz falou ‘me dá uma ai tia’, só que ele só tinha 20 reais. Fui buscar o troco com meu neto que também vende floristas e quando voltei para lá os policiais já vinham soltando bomba. Caiu bem perto de mim”, relata a florista.
Neide conta que vende flores há muitos anos e sempre passa pela tabacaria onde aconteceu a abordagem. “Eu gosto de vender para os jovens. Eles são educados, os que têm mais de 30 já são mais estúpidos ‘não gosto de flor’. Então estou por ali quase todo dia, só tem jovens com muita educação”, afirmou.
“Eles pegaram os meninos de surpresa. Deviam chegar e falar ‘todo mundo para suas casas’ . É só chegar e falar, não é assim que chega. Olha o que aconteceu comigo, nem sei se vou perder minha vista. Tem muito jovem ali, pode ser uma sobrinha sua, uma filha sua. Eles não estavam fazendo nada demais”, continua a florista.
Na gravação, a florista rebate a informação de que os clientes da tabacaria jogaram garrafas nos policiais e que os clientes da tabacaria estavam apenas se divertindo. “Estavam fumando aquele negócio de narguilé e tomando aquele copão. É só chegar e pedir para o dono mandar todo mundo embora que eles já saem. Não precisa fazer isso não. São jovens que estão vivendo a vida”, desabafa Neide.
Por fim, a mulher faz um apelo ao comandante da PM (Polícia Militar). “Gente não faça assim. Comandante conversa com esses policiais, é mentira que jogaram garrafas, eu estava lá. Vamos ser justos com os jovens. Não chega soltando bomba, eu peço para o comandante para ter uma reunião com eles para não acontecer mais isso”, finaliza Neide.
Caso - De acordo com a filha da florista, Poliana Roberta, o caso ocorreu na madrugada de sábado (17) para domingo (18), entre 1h10 e 1h15, enquanto a mãe oferecia rosas a clientes de uma tabacaria e a presença da polícia no local foi repentina. Poliana contou que a mãe havia atravessado a rua para buscar troco com o filho e, ao retornar, teria sido atingida.
“Ela virou e já jogaram o gás. Os estilhaços foram direto no rosto dela. Começou a sangrar muito, não parava. As pessoas que estavam ali correram para ajudar”, disse.
Segundo a família, Neide foi levada pela própria PM (Polícia Militar) para atendimento médico na UPA (Unidade de Pronto Atendimento) da região e segue internada. Ela não consegue abrir o olho ferido, sente dores e aguarda avaliação cirúrgica, prevista apenas para quinta-feira. O receio é de perda definitiva da visão.
A filha também destacou o impacto emocional e financeiro causado pelo episódio. Desempregada, ela passou a trabalhar junto com a mãe e morava com a florista. A família informou que pretende registrar boletim de ocorrência para que o caso seja apurado.
Ao Campo Grande News, a Polícia Militar informou que foi acionada para atender uma ocorrência de perturbação do sossego em um estabelecimento no Jardim Leblon, onde havia grande aglomeração de pessoas, som em volume elevado e motociclistas realizando manobras perigosas.
Segundo a corporação, com a chegada das equipes houve animosidade e arremesso de garrafas contra os policiais, o que motivou o uso de granadas de efeito moral para dispersão do público. Ainda conforme o registro, Neide procurou os policiais pedindo apoio e relatando que não conseguiu identificar o que havia ocorrido.
De acordo com o relato de uma pessoa presente, identificada pela equipe, a lesão teria sido causada por uma garrafa de vidro arremessada durante a dispersão. A PM confirmou que uma viatura prestou apoio no deslocamento da florista até a UPA Leblon.
Receba as principais notícias do Estado pelo Whats. Clique aqui para acessar o canal do Campo Grande News e siga nossas redes sociais.


