Irmãs mantêm promessa que avó fez a São Sebastião há 50 anos
Matriarca partiu, mas tradição de agradecimento ao santo continua com as netas
Todo dia 20 de janeiro, a casa de Maria Luíza Bento, de 43 anos, e Maria Karla Ortiz, de 48, se transforma em uma grande festa. Isso porque há mais de 50 anos a família mantém a tradição de agradecer a São Sebastião pelo milagre que a avó pediu. Nesta terça-feira (20), dia do santo, as irmãs foram à capela que leva o nome dele para fechar o ciclo de orações composto por nove dias de novena.
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A tradição de devoção a São Sebastião completa mais de 50 anos na família de Maria Luíza Bento e Maria Karla Ortiz, em Campo Grande. A celebração, que acontece todo dia 20 de janeiro, teve início após um milagre concedido à avó das irmãs, quando seu filho, bombeiro militar, corria risco de ser expulso injustamente da corporação. Atualmente, Maria Karla mantém a tradição herdada da avó, realizando uma novena seguida de jantar que reúne entre 70 e 100 pessoas. A celebração é aberta a todos, independentemente da religião, e as irmãs relatam diversos milagres alcançados pela intercessão do santo, incluindo a aquisição da casa onde hoje acontece a festa.
Maria Luíza conta que a primeira graça da família envolveu o pai que era bombeiro militar, e corria o risco de ser expulso injustamente da corporação. A avó ouviu que São Sebastião era protetor dos militares, pediu ajuda e foi atendida. O episódio aconteceu em Corumbá e, quando a família mudou de cidade, a devoção mudou junto.
“Desde a minha infância, eu vejo a minha avó fazendo essa novena em casa. No dia 20, ela faz uma reza e oferece um jantar. Minha avó já faleceu e passou a reza para a minha irmã. Ele é contra a peste e contra a fome, então a gente oferece o alimento para aqueles que vierem. Não importa a religião, mas a gente recebeu a graça, então a graça é repartida”.
Maria Luíza conta que o milagre aconteceu quando estava grávida, morando de aluguel e prestes a perder a casa. Sem ter para onde ir, recorreu ao santo em desespero. No dia seguinte, o proprietário voltou atrás na venda e ofereceu condições para que ela comprasse o imóvel. Inclusive é a mesma casa onde hoje a reza acontece.
Elas contam que, no início, eram dois dias de oração, nos dias 19 e 20 de janeiro. Cada uma ficava com um dia para organizar a família e fazer a novena. Com o tempo, a tradição foi sendo ampliada. Quando a avó envelheceu, ela fez a pergunta direta que mantém tudo de pé até hoje. “Alguém continua?” e Maria Karla aceitou.
“Sou eu e meu esposo há 21 anos. A gente faz a reza e, em seguida, oferece um jantar com churrasco na minha casa. Normalmente é em torno de 70 a 100 pessoas. São devotos, pessoas que ao longo do tempo são convidadas, outras já são da família”, explica.
Maria Karla diz que nunca sabe exatamente quantas pessoas virão nem quanto alimento será necessário. Ainda assim, nunca faltou. A confiança, segundo ela, faz parte da devoção. Ela ressalta que São Sebastião é lembrado como protetor contra a fome e a peste e que a casa permanece aberta independentemente da religião de quem chega.
Para ela, carregar essa tradição não é um fardo, é continuidade. Ela fala das graças recebidas, dos filhos formados, dos pedidos atendidos. E fala também do futuro. A ideia é seguir enquanto for possível e, quando não for mais, passar adiante. Para um filho, uma sobrinha, talvez uma neta. Como foi com ela.




