Contrabando de emagrecedores explode e Sejusp determina reforço na fiscalização
Pelo menos três mil caixas de canetas emagrecedoras foram apreendidas desde 2025, 189 só neste mês
A polícia de Mato Grosso do Sul intensificou a fiscalização nas rodovias estaduais da fronteira com o Paraguai diante da explosão do contrabando de canetas emagrecedoras. A demanda pelos produtos, incluindo medicamentos ainda em fase de testes, cresceu de forma exponencial nos últimos meses.
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A polícia de Mato Grosso do Sul intensificou a fiscalização nas rodovias da fronteira com o Paraguai devido ao aumento do contrabando de canetas emagrecedoras. Desde o ano passado, cerca de três mil caixas do medicamento foram apreendidas no estado, com 189 apreensões só na primeira quinzena de janeiro de 2026. Entre os produtos contrabandeados está a retatrutida, medicamento ainda em fase de testes pela farmacêutica Eli Lilly. As forças policiais têm encontrado os emagrecedores junto a outras cargas ilegais, como eletrônicos e cigarros. As autoridades alertam que, além de ilegal, o uso desses produtos sem prescrição médica representa risco à saúde.
Conforme a Secretaria Estadual de Justiça e Segurança Pública, pelo menos três mil caixas, cada uma contendo, em média, quatro unidades do medicamento, foram apreendidas desde o ano passado no estado. Só na primeira quinzena de janeiro de 2026, 189 caixas foram retiradas de circulação, evidência clara de que a modalidade criminosa está em alta.
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Na semana passada, o Campo Grande News mostrou que a mais recente sensação do emagrecimento milagroso é a retatrutida. Desenvolvida pela empresa farmacêutica norte-americana Eli Lilly, o medicamento ainda está em fase de testes, só deve começar a ser comercializado legalmente em 2027, mas vem sendo falsificado em grande escala no mercado clandestino.
De acordo com a Segurança Pública, forças policiais como o DOF (Departamento de Operações de Fronteira) e PMR (Polícia Militar Rodoviária) têm registrado seguidas apreensões de canetas emagrecedoras em meio a outras cargas de contrabando e descaminho, como eletrônicos, perfumes e cigarros.
“Essas canetas têm sido encontradas em meio a cargas de descaminho e contrabando. Por se tratar de um produto que não possui autorização de importação pelos órgãos reguladores do país, a entrada é considerada crime de contrabando. Conforme previsto em lei, o responsável é autuado, o material é apreendido e encaminhado à Polícia Federal e, posteriormente, à Receita Federal”, explica o diretor do DOF, tenente-coronel Wilmar Fernandes.
Ocorrência que chamou atenção nesta primeira quinzena de 2026 foi registrada no dia 12 durante abordagem da PMR na rodovia MS-386, em Sanga Puitã, no município de Ponta Porã. Seis caixas de retatrutida e 110 de tirzepatida estavam sendo transportadas para o estado de São Paulo dentro do estepe de um Ford Ka.
Conforme o comandante da PM Rodoviária, tenente-coronel Vinícius de Souza Almeida, diante do aumento desse tipo de crime, o batalhão tem reforçado a presença ostensiva e as fiscalizações nas rodovias estaduais, especialmente nos trechos próximos à fronteira.
“Temos percebido que os responsáveis adotam estratégias cada vez mais sofisticadas para tentar ocultar as mercadorias, utilizando compartimentos escondidos e até o estepe dos veículos. Ainda assim, a rotina operacional, a observação atenta durante as abordagens e a experiência das equipes possibilitam a localização desses produtos e a retirada deles de circulação”, afirmou o policial.
Já o secretário-executivo de Segurança Pública, Wagner Ferreira da Silva, afirmou que o enfrentamento ao transporte ilegal de canetas emagrecedoras integra a estratégia ampla de combate aos crimes transfronteiriços.
“As forças de segurança de Mato Grosso do Sul estão atentas a essa nova dinâmica criminosa e atuam de forma integrada para coibir a entrada de produtos ilegais no território estadual. Além de configurar crime, esse tipo de mercadoria representa risco direto à saúde da população quando utilizado sem prescrição médica, o que torna ainda mais necessária a intensificação das ações de fiscalização”, observou Wagner Ferreira da Silva.

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